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A dramática epopeia do Anhanguera

Passados 40 anos depois que o primeiro Anhanguera invadiu Goiás, de onde trouxe índios escravizados e ouro, seu filho, Bartolomeu Bueno da Silva, que tinha o mesmo nome do pai, resolveu refazer a “viagem”.

Foto: Divulgação

Associou-se a João Leite da Silva Ortiz e Domingos Rodrigues do Prado e montou sua bandeira: eram seis paulistas, todos aparentados, mais emboabas (portugueses), mamelucos, mulatos, negros e indígenas. O segundo Anhanguera era rude, cruel, tinha um olho vazado em escaramuças com outra bandeira e possuía forte personalidade. Dizia ele que tinha uma resenha indicando o roteiro, mas não tinha. Partiu de São Paulo em 1722. Depois de 12 dias de andança o pessoal quis ver a tal resenha, que o Anhanguera não quis mostrar. O roteiro era o seguinte: Rio Tietê, Jundiaí, Moji das Cruzes, Batatais, Franca, Rio Grande, Rocinha, Indianópolis, Cascalho Rico, Anhanguera. Deve ficar claro que essas cidades não existiam.

Na passagem do Rio das Velhas, novamente os bandeirantes quiseram ver a tal resenha, porém o Anhanguera negou de novo. Não houve revolta porque o João Leite intercedeu. Daí para frente começam as chuvas e a falta de alimentos. Anhanguera manda matar um cavalo para se alimentarem. Descrentes dos rumos da bandeira, os participantes interpelam o Bueno que, de novo, nega-se a mostrar a tal resenha. Novamente João Leite os apazigua. Pelas alturas de Araguari, a bandeira toma rumo de Anhanguera. Depois que a bandeira atravessa o Rio Paranaíba, percorre “cento e tantas léguas” sem alimentos além do que lhes proporcionava a mata. As coisas ficam trágicas. Mais de quarenta mortes, a maioria por fome.

Logo, felizmente, encontram as primeiras aldeias indígenas, mas o encontro inicial é belicoso. Daí para frente são só aborrecimentos, os emboabas chegam a tramar a sua morte. Daí a pouco, nas proximidades da futura São Félix, mais um grupo abandona a bandeira. De São Félix, retornam até proximidades de Planaltina. Em Anicuns, Anhanguera acha vestígios da passagem do pai. Vai até Rio Bonito, Rio Claro e chega aonde vai fundar a futura capital, Vila Boa, hoje Goiás “Velho”. É onde está o ouro procurado. Aquinhoados com várias mercês, um ano depois, os titulares da bandeira são desapropriados pelas autoridades portuguesas, alguns presos, outros assassinados e o Bartolomeu perdeu tudo o que tinha.

 

Texto: Antônio Pereira Silva

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