Destaque Editorial Expresso

Os prefeitos não pediram, mas ganharam

Não estamos fazendo hoje uma defesa dos que ocupam cargo de prefeito, mas uma atroz constatação.

Foto: Cleiton Borges – Secom PMU

Políticas equivocadas dos governos federais, com efeito em cascata, chegaram principalmente aos médios e grandes municípios brasileiros, em razão da cruel opção pelo transporte rodoviário em detrimento do ferroviário; pelo carro do passeio, e não o transporte coletivo.

Hoje, além de não termos transporte de qualidade, em um país continental, sem ferrovias, as poucas existentes não conseguem ser interligadas, por questões técnicas. As que têm certa fluidez são as que transportam os nossos preciosos minérios, os quais saem com baixo valor, por não passar pela indústria – e parte volta como produtos de alto valor agregado. E quando o minério acaba, nos deixa um passivo social e ambiental irreparáveis. Exemplos não faltam.

Um dos impactos negativos para as cidades foi o crescimento da frota nacional. Como exemplo, Uberlândia, que possui a segunda maior frota do estado, e onde a estrutura urbana não foi projetada para receber tudo isso. Não temos vias e nem asfalto para suportar o que está acontecendo. Parte significativa da cidade não possui há algum tempo asfalto de qualidade e todo ano têm sido feitas as já conhecidas operações tapa-buraco, que não resolvem mais. O necessário é ter novo asfalto, e não operações paliativas, principalmente nesta época das chuvas.

Temos avenidas e ruas onde predomina o que não podemos mais chamar de asfalto e que pode ser comparado a uma câmara de ar na qual prevalecem os remendos, penalizando os veículos de todas as marcas, causando prejuízos, riscos, quando se torna necessário desviar dos buracos e de algumas saliências criadas pela tapa-buraco. Não esqueçamos que muitos veículos não foram fabricados para circular em vias de péssima qualidade. A cada revisão é preciso fazer reparos em várias partes do carro, além de outros prejuízos como pneus e rodas – algumas viram sucata.

Ainda temos os carros mais caros do mundo, em razão da carga tributária e, se não bastasse, temos uma indústria das multas, uma das únicas que crescem todos os anos. É possível que sejamos os campeões em número de radares, quebra-molas e multas. Em relação ao asfalto, é um grande problema para os prefeitos e para todos, porque ninguém está livre dessa situação, mesmo os que não possuem veículos. Parte do problema não vai ser resolvida no curto prazo, porque é uma política de governo, mas uma coisa é certa: tapa-buraco não resolve, é um paliativo – caro, em todo sentido.

 

Editorial – O JORNAL de Uberlândia

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