Cultura Destaque Expresso

A dura infância do Dr. Genésio

Genésio Pereira, o pai, que era filho do fazendeiro Vigilato Pereira, tinha pequeno comércio em Araguari, onde, a 26 de fevereiro de 1925, nasceu-lhe o único filho-homem dos oito que dona Carmem Fernandes de Melo lhe deu.

Foto: Divulgação

Na Revolução de 1930, Genésio perdeu tudo. Foi pra roça trabalhar de meeiro. Morou num sítio à margem do Córrego da Rocinha. Saía às quatro horas da madrugada para puxar cana-de-açúcar em carro de bois para uma usina no município de Uberaba. Genésio, o filho, levantava com o pai. Ia buscar as sete vacas da família. Ordenhava-as, dava comida aos porcos e às galinhas. Correndo. Às nove, devia estar no canavial com o caldeirãozinho do almoço. Naqueles tempos, as pessoas da roça almoçavam às nove horas, jantavam às três da tarde e, à noite, faziam uma ceia reforçada.

Dona Carmem se desdobrava. Tinha criado um filho atrás do outro. Fazia todos os serviços do sítio ajudada por eles. A única fonte de receita que tinham, além do trabalho do pai, era um cafezal que rodeava a casa, meio alqueire de um lado e meio alqueire do outro. Levavam-no semanalmente para a Rocinha (Tapuirama) e vendiam.

Eram tempos duros, mas saudáveis. Não havia muito com o que gastar na casa. Com exceção do querosene e do sal, todo o resto se tirava da roça. Na candeia, o azeite de mamona; a decoada das cinzas dava o sabão; o vinagre era da fermentação da laranja; etc. Tudo feito pela família.

As primeiras letras, Genésio recebeu da irmã mais velha. Aos nove anos, veio para a cidade matricular-se no Grupo Escolar Bueno Brandão. Ficou na casa dos avós. Eles moravam na Avenida Cesário Alvim que, por essa época, era um enorme areião. Não havia calçadas, nem meio-fio.

Embora já tivesse o quarto ano da roça, matricularam-no no segundo ano e fez tudo de novo. Lá um dia, a família veio toda para Uberlândia para que todas as crianças pudessem estudar. O Genésio, pai, para sustentar-se, começou a vender galinhas e ovos. O Genésio, filho, também. Fez o ginásio no Colégio Estadual. Em Belo Horizonte, formou-se engenheiro civil pela Faculdade de Engenharia da UFMG e veio para Uberlândia como Chefe de Obras da Prefeitura. Aí, teve como secretária Maria Dirce Ribeiro, que fora sua professora no Bueno Brandão e a primeira mulher vereadora de Uberlândia.

Aí, já começa outra fase de sua vida.

 

Texto: Antonio Pereira Silva
Fonte: Genésio de Melo Pereira

Notícias relacionadas