Destaque Economia Expresso

Uma crítica aos Planejamentos Estratégicos

O Planejamento Estratégico foi adotado pelas corporações na década de ‘60. Em ‘80 transformou-se em processo.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Hoje já é possível fazê-lo a distância e atualizá-lo em tempo real. Apesar de mais de meio século de existência, continua sendo a ferramenta mais usada pelas grandes corporações e pelas esferas públicas e do terceiro setor. Mas, apesar de sua idade e eficácia, ainda é pouco usado no Brasil, quando se compara com os países da economia central – ainda somos considerados “país emergente”, e estamos há algum tempo nessa posição intermediária.

Por mais absurdo que pareça, muitas das grandes empresas nacionais acreditam que fazem Planejamento Estratégico. Apesar de utilizar a metodologia padrão, fazem na verdade o Planejamento Tático e até o Operacional, os quais recebem o título de Planejamento Estratégico. E mesmo algumas escolas de negócios no País ainda ensinam essa equivocada prática.

O que nos levou a mudar a nossa metodologia e fazer esta crítica? A maioria das empresas ainda tem como foco o ciclo de vida de seus produtos – e não o do mercado – e não dão o valor devido às forças que determinam o posicionamento estratégico cuja origem é no seu setor. E o mais grave: não estão em sintonia com os objetivos nacionais e de governos e de suas áreas estratégicas; algumas desconhecem até os do município onde estão.

As que atuam no mercado internacional desconhecem os objetivos nacionais e governamentais dos países aos quais atendem; a gravidade aumenta. Talvez seja essa a explicação de termos ainda uma participação tão insignificante no mercado mundial, sermos exportadores de produtos de baixo valor agregado e sofrermos penalidades até dos nossos parceiros.

Outro erro que contribui para considerar a maioria dos Planejamentos Estratégicos como meros Planejamentos Táticos é que não são feitos com base em análise do seu ambiente competitivo e macro. São realizados com discussões internas, sem receber informações externas em quantidade e qualidade que permitam uma boa analise de cenário.

E o último ponto que queremos destacar: até os anos ‘90, o foco da maioria dos Planejamentos Estratégicos estava em otimizar, desenvolver as empresas. Hoje o foco é “mudar muito”. Se o planejamento não conclui que, a partir da sua data, a proposta é mudar muito, ele é apenas um Planejamento Tático, e não Estratégico.

Texto: Hélio Mendes
Prof. e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

Notícias relacionadas