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A epopeia dos Zanatta

Nos fins do século XIX, os Zanattas deixaram Treviso, atravessaram o Atlântico e vieram bater em Cravinhos, onde trabalharam com cafezal. Com eles vieram os Segattos, Pazzinis e Zuquettis.

Foto: Divulgação

Cinco anos trabalharam ali, antes de virem para o Sobradinho, onde compraram a fazenda de 51 alqueires de um tal Zé Maria. José Camim foi quem mediu e partiu a fazenda de acordo com a parte de cada um no pagamento. O patriarca dos Zanattas era o Ferdinando, casado com Margarida Bandieri, cujos filhos foram os seguintes: Carlo, Assunta, Ernesto, Júlio e Vitória. O começo foi muito difícil. Comiam polenta com almeirão. Assim que puderam, compraram a primeira vaquinha e misturaram leite na polenta. Comiam também muito mamão. Começaram plantando milho, depois, o feijão e o arroz. Debulhavam o milho, ensacavam e levavam em carros de bois até a estação do Sobradinho, de onde despachavam para o Manoel Póvoa (Araguari) ou o Joaquim Póvoa (Uberabinha). Eram compradores portugueses que pagavam a saca a quinhentos réis ($500). Davam o saco e o barbante e se responsabilizam pelo frete. Eles é que sustentaram os italianos da região nos primeiros tempos. Forneciam de tudo: querosene, farinha de trigo, sal e até o café, enquanto a safra não vinha. Recebiam tudo na colheita. Era o costume da época.

Os italianos tinham, em cada fazenda, um ranchão onde guardavam a produção quando os Póvoas não compravam. Era um sacrifício vender em Uberabinha. O que não conseguiam vender, levavam para Monte Alegre. Produziam também capados, que levavam vivos para Uberaba. Algum que perigava de morrer, era sacrificado. Enrolavam sua carne no toucinho, salgavam e envolviam com folhas de bananeiras. Beneficiavam o café lá na Mata do Porco e traziam para Uberabinha. Quando não conseguiam preço, tocavam para Monte Alegre, sempre no carro de bois.

Quando os Zanattas chegaram, não havia os distritos do Cruzeiro dos Peixotos e Martinópolis (Martinésia). Em Martinópolis é que se fez a primeira igrejinha e o primeiro cemitério. Iam a pé para a igreja, uma légua. Todo mundo: os meninos, os pais, os avós. Um sentimento que os italianos trouxeram para Uberabinha foi a intensidade do seu catolicismo. Eram festeiros. Cantavam muito. Em italiano. Oravam muito, principalmente na Quaresma. Havia três cruzeiros. Um dos Zanattas, outro dos Zuquettis e outro do Pazzinis. Faziam procissões; os puxadores das rezas eram os mais antigos. Faziam os andores. Rezavam em italiano. Na Quaresma era terço todo dia. Oravam todo dia ao pé do cruzeiro. Os troncos velhos passaram muita dificuldade.

 

Texto: Antônio Pereira da Silva

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