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Falta metodologia gerencial

Até a década de 80 as empresas apresentavam grande preocupação em ter uma metodologia gerencial.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

As multinacionais implantavam, nas suas filiais no Brasil, os seus modelos de gestão. O que predominou foi a Administração por Objetivo – APO e alto controle, chegando até a terceira geração do método  , com dois precursores: nos Estados Unidos, Peter Drucker; e, na Europa, John Humble. Com certo avanço, tal metodologia passou a ser aprimorada como administração estratégica, em razão de levar a terceira as empresas a terem uma visão mais voltada para fora.  Porém, poucas organizações utilizam a metodologia gerencial em sua totalidade e algumas, quando o fazem, é de forma distorcida.

Assistimos hoje nas empresas à ausência de um modelo de gestão. Estão delegando essa função, de forma equivocada, para sistemas criados pela Ciência da Computação. Nada contra essa importante área, até porque ela funciona melhor quando há uma definição clara da função da gerência, do que se espera de cada um, de como eles devem sincronizar o Planejamento Estratégico com todas as áreas da empresa, de como criar a sustentabilidade por meio dos planos táticos e operacionais, da existência dos indicadores de resultados para medir as metas, a revisão e os controles.

Das pequenas empresas não podemos exigir muito que os seus proprietários tenham um modelo de gerência a seguir, mas quando a empresa cresce não se pode abrir mão de discutir estilos gerenciais, até para ficarem claras as competências e as responsabilidades dos cargos. Os projetos pedagógicos das escolas corporativas necessitam dessas definições. O tão cobrado real X orçado não pode ficar restrito às telas dos computadores, porque os resultados dependem do comportamento das pessoas. Essa discussão leva a haver atitudes gerenciais reativas, adaptativas ou criativas, e para serem de fato criativas, não podem ser definidas por sistemas ou aplicativos – é necessário ousar. Usamos aqui a colocação de um consultor contemporâneo, Gary Hamel: “Nunca o mundo foi mais receptivo aos revolucionários de um setor e mais hostil àqueles que ocupam cargos estáveis”.

Posso causar uma polêmica, mas outro engano é afirmar que programa de qualidade substitui método de gestão. Completam-se, mas um não substitui o outro. Os programas de qualidade dão uma grande contribuição, não é mais possível imaginar as empresas sem eles, mas seu foco está mais na eficiência. Quando falamos de gestão, ela está diretamente ligada à estratégia competitiva – na ausência desta, os programas de qualidade garantem bons resultados. O ideal, na nossa opinião, é ter um método gerencial, um programa de qualidade e um sistema de tecnologia de informação, este é o tripé que as empresas não podem deixar de ter, não se sobrepõem, um não substitui o outro, formam uma simbiose, que possibilita melhores resultados.

Se analisarmos as teorias de administração nos últimos trinta anos, o que predominou foi modismo, mas a APO, com as devidas atualizações, ainda é a melhor porque dá o Norte para as empresas, a divisão de responsabilidade por área, mostra como medir os resultados e não abre mão da obtenção do lucro. Esse foi um dos legados de Drucker, o qual todos os gurus de gestão, quando escrevem, têm como referência bibliográfica.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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