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Projeto Intervales busca a integração aero-rodo-ferroviária na região para atender à logística nacional e à internacional

O prefeito de Uberaba, Paulo Piau, destaca a importância do projeto que atende a 70 municípios e a necessidade de união para que ele seja viável

Foto: André Santos /PMU

Idealizador de um projeto de grande magnitude divulgado em vídeo recentemente, o prefeito de Uberaba, Paulo Piau, destaca as ações do Intervales, que visa atender em termos de logística aos 70 municípios da região do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, oferecendo soluções em transporte nos setores aeroviário, ferroviário e rodoviário. O primeiro passo aconteceu com a outorga em novembro de 2017, junto à Secretaria Nacional de Aviação Civil, para a implantação de um aeroporto de cargas, inicialmente previsto na BR-050, próximo ao km 116, ao lado do Terminal Integrador da VLI Valor da Logística Integrada , com recursos da iniciativa privada.

Piau destaca que, desde 2012, o projeto já constava em sua plataforma de governo. “Se buscarem na minha plataforma de governo da campanha 2012, vamos ver lá que esse assunto da região do Cinquentão já estava ali, porque é uma região que será um grande ponto de logística do Brasil. Então, temos que pensar grande. Não é pensar Uberaba, não é pensar Uberlândia. Temos que pensar nessa estratégia aqui da Rodovia 050, das ferrovias, pensar que nós podemos ter um entroncamento logístico nacional e até da América Latina. Essa é a dimensão que a gente tem que tratar.”

A importância da união em torno de um projeto para a região como um todo também é defendida pelo prefeito: “O que precisamos agora, na minha avaliação, é dialogar, sentar e dizer o seguinte: o que é bom para a região, partindo de Ituiutaba, indo até Patos de Minas, Uberaba, Uberlândia, Araguari? Dialogar, acertar com os governos federal e estadual. Desenvolver um projeto de interesse comum da região e, por que não dizer, do País. Estamos com um projeto de grande dimensão e o momento agora é de maturidade e de diálogo. Não de reação, como fez um deputado estadual, protegendo Uberlândia. A gente entende, mas temos que ter agora o equilíbrio e o diálogo e achar a melhor composição do projeto para atender à região inteira”.

Em entrevista exclusiva, o prefeito Paulo Piau fala sobre aspectos importantes do projeto. Confira a seguir.

Como começou o Projeto Intervales?

Na verdade já existe um embrião da VLI, que tem ali na região do Cinquentão o maior terminal de transbordo de açúcar e grãos do mundo. Isso é logística. Em vez de pegar caminhão pela estrada, entupindo o Porto de Santos. Vemos as imagens dos caminhões parados na estrada, em determinadas ocasiões, ficando parados por 30 dias. Hoje vai para o Tiplam, que é um porto privado da Vale. Isso facilitou muito a exportação.

Claro que grãos não são produto para a aviação, transporte aéreo. Mas temos muita coisa, por exemplo, a região já produz flores que vão para Campinas e são exportadas para a Europa. Isso já é um fato real. Já produzimos, na pecuária, sêmen, embrião. A área de medicamentos também avança, com interesse maior da indústria. Portanto, nós temos uma perspectiva muito grande de transporte aéreo, receptivo ou emissivo.

Esse assunto não é novo para a região, mas é um assunto da ordem que está para ser tomada a decisão. O que nós fizemos até hoje foi outorga, da Secretaria de Aviação Civil, dentro de um processo normal, pedido há muito tempo.

A outorga é uma permissão do governo federal para que todas as ações, todos os estudos sejam realizados, e estão evidentemente sendo realizados. Claro que em fase inicial, todo em tempo de dialogar e definir o melhor projeto.

O senhor citou alguns setores do Agronegócio. No Alto Paranaíba nós temos o setor cafeeiro, referência do Cerrado, que deve fazer uso e contribuir com o projeto. Quais outros setores o senhor citaria que contribuem com o Intervales?

Nós temos um potencial muito grande. O que enxergo mais nisso é o que poderá acontecer pela frente. Estamos na região mais promissora hoje do País, o nosso Triângulo Mineiro e o Alto Paranaíba. Então, poderá evidentemente vir uma indústria bastante significativa que produza produtos de baixo volume e alto valor agregado.

Temos bezerro que é exportado para o Oriente Médio, ele vai de navio. Mas, quando se exporta um touro de qualidade, ele vai de avião. Então, de boi a um produto veterinário, uma molécula para fazer um defensivo agrícola, a indústria de medicamentos que começa a aflorar aqui na região…

O Triângulo Mineiro hoje tem dois portos secos, o de Uberaba e o de Uberlândia. Segundo a Receita Federal, é até um exagero, mas os dois estão funcionando bem, e isso é importante para desembaraçar produtos para fora, como para o País. Já somos uma região de movimento de importação e exportação muito grande, muito significativo. Claro que a carga aérea é produto de baixo volume e de alto valor agregado. Já existe um movimento grande de carga aérea nos dois aeroportos, como, por exemplo, correios e exportação de insumos agrícolas.

Como está o cronograma desse polo que integra aeroporto, rodovia e ferrovia?

De agora para frente, com a outorga na mão, temos várias empresas que manifestaram interesse. Empresas de porte nacional e internacional, inclusive para realizar estudos de viabilidade. Quem vai construir deverá ser a iniciativa privada. Portanto, quero deixar claro que a área que está estabelecida ali é uma área que foi declarada de utilidade pública, para isso precisava obter a outorga. Mas como é a iniciativa privada que vai fazer os investimentos, se ele vai ficar mais para lá ou para cá, é o refino do estudo que vai definir, se o local que a iniciativa privada achar que vai ser no Prata ou em Nova Ponte, Uberlândia, Uberaba. Será onde o estudo técnico definir. Estamos nessa fase preliminar.

Outra coisa muito importante: onde ele estiver, que seja considerada uma área comum ao Triângulo Mineiro e ao Alto Paranaíba, para não se criar o egoísmo. Também tivemos a predisposição de colocar como uma área comum, não uma área de Uberaba. Temos que ter desprendimento agora, porque, se a gente entrar numa rota de competição, quem perde é o Triângulo e Alto Paranaíba.

De onde virão os recursos para implantação desse polo de logística?

O Brasil inicia 2018 com uma confiança diferenciada. A gente percebe um interesse dos investidores, inclusive internacionais, no País. Isso é um fato, ponto positivo. Os governos federal, estadual e municipal terão que dar todo o respaldo logístico e político, mas o recurso é todo da iniciativa privada. Já têm muitos interessados que assistiram ao vídeo e estão visitando o projeto, já têm interesse real.

Foto: André Santos /PMU

Um projeto dessa dimensão o credencia para dar um salto político maior. Existe essa possibilidade?

Estou aqui evidentemente até 2020, não tenho nenhum interesse, em 2018, de candidatura. Isso é uma definição minha. Tenho compromisso com Uberaba até o ano de 2020. Cumprirei. Agora, claro que para frente – inclusive discuti outro dia com o prefeito Odelmo Leão sobre isso –, nós também temos que amadurecer no sentido político. O Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba tem que ocupar espaço tanto junto ao governo do Estado, quanto ao governo federal. As duas maiores cidades, Uberaba e Uberlândia, têm que estar juntas, unidas.

Já teve no passado recente uma disputa para a vice-governadoria do então governador Anastasia. Então disputou Uberaba com Uberlândia e foi outro vice. Então, se for de Uberlândia para ocupar um espaço a governador, a vice-governador, a senador, nós temos que estar juntos. Se for de Uberlândia, Uberaba estará junto, porque é do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Se for de Uberaba, que Uberlândia esteja junto. Se for de Ituiutaba, Araxá, Patos de Minas, nós temos que estar juntos. Um projeto da região.

Quando a gente olha um município, é o que eu disse outro dia: é muito pequeno em relação à região, são 70 municípios. A gente está à disposição, mas esse assunto desse projeto não faz parte de estratégia política eleitoral, em definitivo. Isso é uma consciência de que a região está na hora, no momento dela, em que precisa de logística para dar um salto maior no seu desenvolvimento.

Como o senhor vê o ano de 2018, as perspectivas econômicas e políticas?

Não tenho dúvida de que será um ano bom para a iniciativa privada, as previsões dão um crescimento entre 2% e 3%. Quem partiu de uma recessão com -3,8%, em 2015; -3,6% em 2016… O ano 2017 fica entre 0,5% e 0,7% de crescimento, já melhorado. E 2018, com previsão de 2% a 3% de crescimento. Para a iniciativa privada vai ser bom, com mais empregos, mais oportunidades de negócio. Não tenho dúvida disso.

Para o Poder Público, ele ficará amarrado, agarrado, com dificuldade, porque, se não fizer as reformas que estão previstas, vamos gastar tudo que recebemos com Previdência. Com esta desordem que está o Poder Público brasileiro, municipal, estadual e federal, nós vamos jogando dinheiro fora, pelo ralo.

Na minha avaliação, 2018, uma perspectiva muito boa para a iniciativa privada, mas infelizmente ainda de muito aperto para o Poder Público, porque este País não tem coragem de tomar as medidas necessárias, que são as reformas.

Nesse momento, o senhor reforça a necessidade de união em prol de um projeto comum?

Quero reforçar a necessidade desse projeto tão importante para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, sobretudo a região de Uberaba e Uberlândia, com a perspectiva de ser um grande entroncamento nacional de logística, não importa se mais para lá, mais para cá. Nós temos que ter isso como uma grande meta. Então, o momento é de assentar toda a nossa região e definir o melhor projeto.

Minas Gerais só tem um aeroporto, que é Confins; o resto é arremedo de aeroporto e sem perspectiva de adequação. Um aeroporto de cargas, ele precisa no mínimo de 3 mil metros de pista, como ideal 4 mil metros, e não dá para adaptar os aeroportos que temos em Minas Gerais. Então, os outros distantes são Campinas e Guarulhos, outro em Anápolis, estruturado. E, se nós ficarmos brigando, o Sul de Goiás pode encampar um projeto desse, o Norte de São Paulo, mais para o lado do Mato Grosso do Sul.

Que o governo de Minas Gerais assuma isso como um grande instrumento, não só da região, mas do Estado. O momento é importante. Se a gente se unir, nós ganhamos esse projeto. Se estivermos desunidos, alguém vai levar o projeto e, num raio de 450, 500 quilômetros, não comporta dois aeroportos dessa natureza. O momento é único para nós. Não disputando entre cidades, concordo com o prefeito Odelmo, isso é política atrasada, vamos largar isso para trás.

Texto: Leonardo Leal

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