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As boas malandragens do futebol e suas sutilezas!

A sensação que tem um torcedor simples como eu é de que nos anos 50 a 80 os atletas de futebol tinham maior poder de decisão nas suas escolhas.

Foto: Divulgação

Romário, Ronaldo Fenômeno, Rivaldo, Djalminha, Ronaldinho Gaúcho e alguns mais preferiram jogar na Espanha ou na Holanda.

Na época, nessa região o bicho-papão era o futebol holandês, tendo como modelo o Ajax, dono de um futebol revolucionário, o chamado Carrossel. Foi tricampeão na Liga dos Campeões da Europa, nos anos 1970, 1971 e 1972. Possuía monstros sagrados do futebol como Neeskens, Johan Cruyff e o técnico que até hoje revoluciona as táticas e técnicas nos gramados, Rinus Michels.

Na Copa de 1974 a Holanda empolgava todos com seus toques mágicos tic-tac. Nem a Seleção Brasileira, com suas estrelas, conseguiu suportá-los na arena verde. Perdemos de 2 a 0. Confesso que foi pouco. Nunca torci para um confronto terminar logo.

Mais tarde, o dinheiro falou alto e a máquina dos sonhos do futebol Ajax foi desmanchada, com suas estrelas sendo vendidas ao futebol italiano e ao espanhol.

Retornando ao tema principal, quem escolheu jogar na Espanha levou vantagem. A bola no espanhol flui mais. O talento aflora pelas contendas, sem violência.

Outro detalhe é que, até hoje, os dois grandes espanhóis são protegidos pela arbitragem. Qualquer jogada mais ríspida nas suas estrelas, o cartão vermelho surge sem a mínima cerimônia.

Contudo, quem cai nos campos italianos ou ingleses embaça tudo. Os zagueiros batem impiedosamente. Nem Garrincha ou Pelé sobreviveriam lá. As equipes têm como foco principal a defesa e matar as jogadas. Amarildo, Zico, Júnior, Sócrates e outros não sairiam da enfermaria.

O único que se deu bem foi Kaká, inclusive foi o melhor do mundo. Talvez porque jogava num setor do gramado menos congestionado, agindo em todo momento com inteligência. Partia para cima da zaga com a bola dominada. Qualquer falta situava-se em área perigosa, perto do gol. Isso os becões evitavam, uma vez que esse paulistinha era exímio cobrador nas bolas paradas.

Atualmente a história se repete. Gabriel Jesus optou pelo futebol inglês. Paga caro. Sofreu graves contusões; essa última até o ameaça de não ir à Copa do Mundo da Rússia. O grave é que essa estrela quase adolescente tem apenas 20 anos de idade.

São essas pequenas observações de bastidores que o craque de hoje deve analisar. Não se deixar levar pelo seu ganancioso empresário, que pensa unicamente no seu bolso, tornando um talento simples descartável.

 

Texto: Lucimar César

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