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A era radiofônica

Antes de 1939 não havia emissora de rádio na cidade. Paulo de Castro montou um serviço de alto-falantes que foram instalados em cima do Bar Antárctica, que ficava na Avenida Afonso Pena.

Foto: Divulgação

Esse serviço de alto-falantes ia da Rua Olegário Maciel até a Goiás, já era uma minirrádio. Tinha locutores, propagandas, música gravada e ao vivo e noticiário. As primeiras vozes que ganharam os ares da avenida foram as de Adib Chueiri, Oswaldo de Souza, Pedro Schwindt, José Rosa e outros.

Paulo de Castro era um técnico inteligente, bom de papo, culto, falava inglês e, em sua oficina, se conversava de tudo com muita gente, das mais variadas formações culturais e políticas. Lá se reuniam professores, políticos, artesãos, até os ingleses compradores de gado para o Frigorífico Anglo. Gente de todo tipo: anarquistas, ateus, fascistas e nazistas (havia disso naquele tempo aqui na velha cidade), integralistas, comunistas, nacionalistas, democratas.

Saíam discussões acaloradas. O Paulo só sossegava e enfrentava as válvulas dos aparelhos quando o pessoal resolvia tomar um cafezinho no Bráulio ou comer uns pastéis no Bar Antárctica. O Paulo consertava os aparelhos de dia e os testava de noite. De dia só se pegavam as ondas curtas da Argentina. De noite, se ouviam a Difusora de São Paulo, a Record, a Cruzeiro do Sul do Rio, a Transmissora Brasileira, a Rádio Clube, a Rádio Ipanema, a Rádio Corcovado, quase todas desaparecidas.

Os aparelhos mais usados eram o Philco e o Zenite.

Logo apareceu por aqui o rádio Fleschman, fabricado pelo J. Mathos Penteado, um industrial paulista, e vendido pelo Aristides Figueiredo. O Penteado, para enfrentar o mercado da cidade, resolveu divulgar o seu aparelho Fleschman criando uma emissora de rádio: a Difusora. Foi fácil: trouxe o pessoal dos alto-falantes com a mesma programação: música gravada e ao vivo, propaganda (principalmente do Fleschman) e notícias.

Começava a era radiofônica de Uberlândia. Era 1939.

 

Texto: Antônio Pereira Silva
Fontes: Jornais da época e Oswaldo de Souza

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