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Design Thinking

O modelo que ainda permanece nas empresas é o piramidal, que ocorre com mais ênfase na área pública.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Mas há algo que vem mudando muito mais rápido do que as estruturas: é o “senhor mercado”. As marcas estão perdendo força ano a ano; a venda é cada vez mais direta; e o consumidor, cada vez mais infiel. Prepare-se, porque vai mudar mais ainda.

As teorias na área de Administração começaram sendo tratadas como escola, depois passaram para enfoques, são hoje ferramentas. Algumas ficam na primeira edição, poucas têm resistido ao tempo. O modelo das organizações que normalmente em parte é explicado por meio de um organograma tem, como dissemos, resistido ao tempo, mas se mostra cada vez mais ineficiente. O que está acontecendo? A divisão clássica em cuja estrutura, no ápice da pirâmide, ficavam as pessoas responsáveis pelas estratégias, “os iluminados”; abaixo, os coordenadores; e, na base, os responsáveis pela execução; e o mercado com o papel apenas de consumir, está mudando.

Com a democratização do conhecimento, essa divisão de responsabilidade clássica tem perdido a sua eficácia. Muitas empresas preconizam que já possuem uma visão mais interativa, participativa, holística, na qual todos participam do estratégico e que o operacional não é mais apenas da base, o melhor do “chão de fábrica”. Isso ainda é uma falácia.

E agora surgiu mais um complicador: o consumidor, que na década de setenta foi caracterizado como rei, hoje não quer mais a coroa, porque sabe que esse tratamento era para colocá-lo “no pátio de algumas empresas”. Hoje ele deseja comprar qualquer marca, a qualquer hora, do seu jeito. Com isso, algumas empresas querem o consumidor fazendo parte do seu estratégico, ocasião em que cresce a técnica de Design Thinking: “conjunto de métodos e processos para abordar problemas relacionados à aquisição de informações, análise de conhecimento e propostas de soluções. Como uma abordagem, é considerada a capacidade para combinar empatia em um contexto de um problema, de forma a colocar as pessoas no centro do desenvolvimento de um projeto; criatividade para geração de soluções e razão para analisar e adaptar as soluções para o contexto”.

Podemos, em alguns aspectos, considerar essa abordagem como uma pesquisa qualitativa, mas vai além, porque é uma vivência permanente; ela tem sido usada como formadora de um paradigma corporativo, colocando o consumidor como membro da equipe de criação. E para obter o resultado na sua plenitude é necessário mudar a cultura da organização, porque o modelo atual acredita que sua equipe de criação está à frente do mercado.  Por exemplo, o telefone mais completo, mas pode estar oferecendo mais ou menos do que uma parte significativa do mercado deseja.

A maioria das empresas tem muita dificuldade em dividir as questões estratégicas internamente; agora vai ter que aceitar mais um parceiro na hora de criar e solucionar os problemas, que não são poucos, pois o consumidor está “deixando o seu pátio”, que chamamos de marca – algumas valem mais do que o patrimônio de muitas empresas. A marca está perdendo o valor e, para continuar, será necessário construir os produtos com a participação do consumidor.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Estratégia e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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