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Vinil: uma mídia para os apaixonados em música

 

Sou totalmente a favor dos serviços de streaming, mas a verdade é que dei um tiro no pé

 

Anderson Tissa é jornalista, publicitário e autor da coluna “Vida Longa, Baby” / Foto: Douglas Luzz

Por muito tempo cobicei ter uma coleção de vinis. Queria todos, até de bandas que não gostava. Mamonas Assassinas, por exemplo. Não me recordo qual foi à primeira bolacha que ouvi, mas me lembro de ir, quando criança, a casa de um amigo escutar os discos de sua irmã mais velha.

Passávamos à tarde toda curtindo Xou da Xuxa, U2 e um especial do Hollywood Rock. Até que um dia, a sister do brother chegou com o LP do filme Top Gun – Ases Indomáveis. Tom Cruise e a loira Kelly McGillis eram os modelos da capa. Foi uma festa. Como éramos fãs do filme, toda criança era, e tínhamos os bonecos e caças (aviões) de brinquedos do G. I. Joe foi preciso apenas rebatizar os soldadinhos para os nomes dos personagens do filme e brincar com direito a trilha sonora.

E que trilha sonora! Logo de cara, a faixa que abre o disco é a punch Danger Zone, de Kenny Logins. Deste álbum, gosto também de Through The Fire, do Larry Greene, e Heaven Your Eyes, da Loverboy e do hino Top Gun Anthem, de Harold Faltermeyer e Steve Stevens. Obviamente não posso deixar de citar a canção que fez uma geração inteira arrastar o c&#@ na brita, Take My Breath Away, da Berlin. Basta ouvir o “tom don don don don” da introdução para o coração apertar, contorcer e quase sair pela boca.

Eram bons tempos, porém caríssimo. Não eram todos que tinham acesso a esse tipo de mídia. Por este motivo e também por uma questão de espaço físico e com a chegada do arquivo digital, fui me desfazendo do que adquiri ao longo dos anos. Sobrei apenas com um e esse não dou, não emprestou e nem vendo. É o LP do filme Labamba. Acho o Ritchie Valens um máximo.

A questão é que dei um tiro no pé. Adoro e sou totalmente a favor dos serviços de streaming, por dar acesso a milhões de canções a qualquer pessoa. Sou usuário do Spotify e não há um dia sequer que não utilizo o serviço. Mas ouvir música atualmente não é a mesma coisa. Aquele momento particular de pegar, tocar, no álbum, retirar da capa, colocar para rodar, se sentar e dar total atenção à obra, não existe mais. E talvez essa seja a razão dos apaixonados por músicas estarem voltando a comprar vinis.

Ainda não é barato. A indústria fonográfica ainda não conseguiu emplacar o retorno da bolacha preta, até mesmo pelo fato de todos terem acesso à música gratuitamente, por meio da pirataria. E os serviços de streaming são muito mais baratos que um simples vinil. É claro que existem LPs baratos, mas tenho certeza que os que vai querer ouvir não são. O estado de conservação conta muito na hora do preço e peças raras como, The Freewheelin de Bob Dylan, Speedway de Elvis Presley e There Is A Happy Land de David Bowie, por exemplo, custam os olhos da cara.

Existem sebos com certo acervo considerável e feiras para garimpo. Caso prefira o ambiente online, também existem lojas especializadas no assunto. E além de gastar uma nota nos seus discos preferidos, não se esqueça de que será preciso um aparelho de som para ouvi-los. Em sites de vendas de usados como o Mercado Livre e OLX, encontram-se vários de todos os modelos e preços.

Apesar das dificuldades, ouvir Neil Young em vinil ao lado de quem você gosta vale muito a pena. Eu garanto.

 

Texto: Anderson Tissa

Revisão: Pedro Ivo

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