Entrevista Expresso Foco

Rick Paranhos fala de carreira, da paixão pelo jornalismo político e ainda faz uma análise sobre os possíveis candidatos às eleições de 2018

Rick Paranhos tem 25 anos de carreira e atua como jornalista político há mais de uma década. O apresentador e repórter da TV Paranaíba falou com “O Jornal de Uberlândia” sobre a expectativa para as eleições de 2018 e as chances dos possíveis candidatos. O comunicador defende a continuidade das investigações da Lava Jato, operação que ele afirma ter sido o maior avanço político dos últimos anos.

Foto: Bruno Fernandes

Rick, você é considerado um dos melhores apresentadores de Uberlândia, referencia no jornalismo político, como começou sua carreira?

Bondade de quem afirmou isso, mas sou grato pelo elogio. Eu comecei a minha carreira no jornalismo em Uberlândia em 2002, início de 2013. Trabalhava na rádio Itatiaia, na época com programação musical, eu era apresentador, mas eu tinha vontade de fazer jornalismo, então logo que eu cheguei não consegui entrar na faculdade, só entrei em 2001 e ali conheci bons professores, bom colegas que me incentivaram a pensar em política, até então eu não tinha esse gosto. Tive o professor Selmane Felipe, foi muito bom, me ensinou muito sobre isso, um colega chamado Marciano Corrêa, que também é militante e gosta muito de política. E a partir daí eu comecei a gostar e em 2003 a rádio Itatiaia abriu a rádio AM aqui com jornalismo, e na época contratou uma equipe muito boa, um time muito bom. Então naquele momento eu entrei no jornalismo e não saí mais, trabalhei na Rádio Itatiaia até 2005, depois que eu me formei tive uma experiência muito grande com o Jornal da Justiça, depois eu fui para o Jornal Correio, depois veio o convite da TV Integração, final de 2009 Rogério Silva me fez um convite para vir para a TV Paranaíba. Aqui pude associar outros conhecimentos, a possibilidade de apresentar o Balanço Geral, nas férias do Marcos Maracanã, então pude assimilar um pouco mais essa coisa do jornalismo comunitário, de opinião.  Tive a frente do Jornal Paranaíba também, tive um tempo chefiando a redação, agora me dedico mais ao programa Política Cruzada e faço reportagens para o Jornal Paranaíba, série de reportagens, emito opinião.  Então esse é o contexto da minha carreira no jornalismo e para aprimorar mais os meus conhecimentos hoje estou cursando direito também com o objetivo futuro de tentar uma carreira na área jurídica.

Rick, o que o Jornalismo Político tem de especial?

Eu sou suspeito, depois que eu descobri o jornalismo político eu passei a pensar o seguinte, é até lema do “Política Cruzada”, política está em todo, quando você sai de manhã para comprar o pãozinho e o café moído, tem política econômica ali, política partidária, porque às vezes uma decisão política interfere na escolha do Ministro da Agricultura e essa escolha vai impactar na vida de todo mundo. Então tudo tem a ver com política, a falta de vaga nas escolas, a contratação ou não de médicos, o aumento do salário mínimo. Tudo tem a ver com política. Quando as pessoas dizem: Eu não quero saber de política, eu não gosto de política, enquanto você detestar política a sua vida não vai mudar, porque você n]ao vai ter a oportunidade de buscar algo diferente para o seu dia a dia, porque é você cobrando o seu vereador, quem representa seu bairro que você vai ter garantido direitos básicos. Enquanto você não gostar de política e não cobrar do vereador, do prefeito, do deputado federal, estadual e federal, você não vai ver mudança. As redes sociais ajudam a fazer essas denúncias e reclamações. Por isso que a política tem a ver com tudo e eu gosto muito.

Na sua opinião, o que mudou com a Lava Jato no país, principalmente em relação à imprensa?

A Lava Jato mudou muito, embora as pessoas digam que não vai dar em nada, eu acho que já deu em muito. Políticos que nós nunca imaginávamos que iriam para a cadeia, foram e só saíram quando fizeram a delação premiada para denunciar outros políticos tão corruptos quanto e agora estão em uma condição um pouco melhor, prisão domiciliar, tiveram que devolver dinheiro, então sentiram na pele o que é uma sanção, uma pena para alguém que cometeu corrupção. Já é o princípio para a mudança, já tivemos resultados bons, políticos tiveram que devolver dinheiro, empresas também. Agora temo que pensar no futuro, quem nós vamos eleger esse ano? A gente tem que colocar no senado e na Câmara dos Deputados representantes que defendam as investigações, porque embora o governo Dilma tenha uma série de problemas, a gente tem que reconhecer que essa lei votada lá atrás, abriu portas para ela e para outros petistas, tucanos e amarelos enfim, todos que estavam envolvidos com corrupção. Então a gente tem que ter representantes políticos que queiram essa continuidade e não os que estão lá, os que estão querendo por fim a Lava Jato, eles tentaram por diversas vezes acabar, mas graças aos veículos de comunicação que denunciaram, graças ao Ministério Público, com isso trouxeram a tona gravações, envolvendo tantos políticos que foram pegos em ligações telefônicas dizendo que a Lava Jato tinha que acabar que estava sangrando todo mundo, então só não acabou porque a imprensa se envolveu. A imprensa abraçou a causa para dar continuidade a uma limpeza que nós acreditamos nela. Talvez a imprensa nem tivesse preparada para a quantidade de informação, de denúncias que foram feitas, então foi muito criticada por pessoa que disseram que o veículo tal privilegiava determinados partidos. Então tudo isso está sendo apurado pela justiça. Nos últimos cem anos a Lava Jato foi o maior avanço político que nós tivemos.

Como você avalia os nomes que já se apresentaram para disputar o Governo do Estado e Federal?

Os nomes apontados para o Governo do Estado são ainda incipientes, a gente só tem o Governador Fernando Pimentel que já admitiu que pode disputar a reeleição. É bom lembrar que o Pimentel está respondendo um processo no Superior Tribunal, que eu duvido que vá ter resultado prático antes do período da candidatura, ele deve ter condições de disputar essa reeleição, então ele é o único que tem admitido. A oposição tem falado em alguns nomes, por exemplo, Márcio Lacerda, que foi prefeito de Belo Horizonte, ele tem percorrido o estado, colocando o nome dele em apreciação. Temos também uma cogitação do ex governador e atual senador, Anastasia. Há uma possibilidade remota de que o Senador Aécio Neves viria disputar o governo do Estado, mas ele está muito desgastado, não acredito que ele teria chance. Seria uma surpresa grande. Acredito que ele se vier disputar deve ser ao cargo de senador ou deputado federal para não perder o foro privilegiado.Tem outro nome que também é cogitado que é o Diniz Pinheiro, que estava no PP até então e é do mesmo grupo do Anastasia, do Aécio Neves. Tem também o Romeu Zema, presidente do Grupo Zema, que já houve conversas que ele teria interesse de disputar, também tem se apresentado como opção. Nesse cenário todo eu avalio que quem tem chance de tirar o atual governo seria o Anastasia, mas ele tem dito que não vai. Então é ate difícil fazer uma avaliação tão cedo, mas hoje nesse exato momento, acredito que Pimentel tem chance de conseguir a reeleição, já que Anastasia diz que não vem.

Quanto ao Governo Federal, Michel Temer já disse que não vai disputar, temos Luiz Inácio Lula da Silva que já se diz pré candidato, há uma possibilidade do Tribunal Regional Federal julgar o caso dele, então se houver uma condenação de segunda instância, teria que passar por uma modulação, mas acredita-se que essa decisão já vetaria o Lula de disputar, há um grupo que diz que não, outro que diz que sim. Na impossibilidade do Lula disputar, o PT teria que pensar em outro nome. No Democratas fala-se muito no nome do Rodrigo Maia, Presidente da Câmara , que diz que não mas no fundo ele tem um certo desejo de tentar a presidência. O que todo mundo fala agora que é o Jair Bolsonaro, que nas pesquisa se apresenta como uma grande possibilidade, um segundo nome na disputa, mas não acredito que ele seja tudo isso não, a gente sabe que não se governa um país sozinho, eu não sei se ele teria condições de conseguir uma aliança para dar a eleição para ele e depois de governar. Não sei se ele teria capacidade. Temos ainda Ciro Gomes, que tem percorrido o país todo, utilizando o slogan Cirão da massa, é um nome que está posto e tem também Marina, que já vem de outras disputas, não sei se ela teria condições de disputar , mas acredito que seja candidata. Então  é bem possível que surjam outro nomes, ainda é muito cedo. Mas com chances são esses mesmo, tem ainda Geraldo Alkmim, e tem também o João Dória, que é prefeito de São Paulo, os dois nomes do PSDB podem ser esses, fora eles tem o apresentador Luciano Hulk, recentemente ele disse que gostaria de ter o nome dele inserido nas pesquisas. Os nomes são esses hoje, mas eu te confesso que nenhum me agrada. Precisaríamos de outras possibilidades. O Brasil precisa de gente que queira ajudar a nação e não trabalhar em benefício próprio.

 

Texto: Maria Clara Faria

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