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Há equipes de futebol em que um pingo de água vira tempestade!

Pensando com meus botões – às vezes, num domingo sem futebol, medito serenamente sob minha parreira de uva preferida: “Há equipes, principalmente as donas de uma imensa nação de torcedores, em que um crec no joelho ou um estalo de dedos são notícia de primeira página, com letras garrafais ou manchetes sensacionalistas”.

Foto: Divulgação

O Uberlândia E.C. é um desses times que evidencio como grande e tradicional. Um caminho e um enorme palco para se aparecer.

Os dirigentes desses gigantes não podem vacilar. São forçados a pensar antes de cada passo a ser dado. Se o infeliz diretor, naqueles momentos de fraqueza que qualquer um de nós tem, num bate-boca com um corneta, mencionar que a genitora dele não é mais virgem, a confusão está formada. Tudo pega fogo! Logo, logo o processo de danos morais aparece na segunda-feira, com o oficial de justiça à porta do pobre cosmoteta.

Nada disso acho ruim, por incrível que pareça. Pelo menos aumenta a audiência, no universo da bola.

No Ninho do Periquito havia, não sei se ele está lá até hoje, um jardineiro folclórico, o Chiquinho. Funcionário dedicado há algumas décadas, xodó dos jogadores e comissão técnica que sempre fizeram parte do Periquito. Em função do seu fanatismo pelo Verdão, o velho Chico não tinha cerimônias em abordar qualquer assunto com diretores ou qualquer pessoa do ambiente. Ninguém nunca o tratou mal ou deixou de ouvir seus pontos de vista.

Certa ocasião, o caldeirão ferveu tanto pelas bandas do Furacão que a diretoria teve que tomar uma atitude drástica. Tudo ia bem fora de campo. Finanças pagas, compromissos em dia, contudo, nas quatro linhas havia oscilações não toleradas pela exigente galera.

Num toque de mágica, surgiu um salvador da pátria, a decantada Universidade do Futebol. Foi um oba-oba sem limites. Imprensa, cornetas e todos os setores aplaudiram de pé a diretoria pela sua atitude ousada.

O início do certame foi avassalador. Uma maravilha! O  U.E.C. venceu os quatro primeiros jogos com os pés nas costas. Até disparou na liderança da competição. Foi manchete em todo o País.

Foi aí que entrou a birra do futebol e seus caprichos de netinho mimado. O Gigante da Floriano Peixoto disparou a perder. Todas as fórmulas foram tentadas para se evitarem as derrotas, tudo inócuo. O rebaixamento parecia inevitável e a panela de pressão da maior torcida do interior mineiro parecia que explodiria inevitavelmente.

Com o fracasso iminente e sabendo que ia cair, o gerente de futebol, um gaúcho que não admitia opiniões, solicitou uma reunião com a cúpula da equipe para achar o causador da enorme queda de rendimento dos atletas verdes.

Fiquei pasmo com tanta asneira desse gestor. Disse ele:

– Minha autoridade foi ferida!

– Como? – indagou o diplomata presidente – Algum diretor interveio no seu trabalho?

– Não, nada disso! É o Chiquinho, o zelador das plantas!

– O que tem o Chiquinho?

– Antes do time viajar, fui atender o telefone. Na minha volta, flagrei-o dentro do ônibus, gargalhando com os atletas, dando instruções para o time parar de perder. Exijo: ou ele ou eu!

O silêncio foi total, com essa colocação tão absurda e ridícula. Usando a diplomacia e carinho com o funcionário, alguém conversou com o Chiquinho. Após o episódio, eu o via cabisbaixo sob a sombra de uma árvore na Vila.

Felizmente tudo passou. O Furacão safou-se do rebaixamento. E mais uma lição aprendida!

 

Texto: Lucimar César

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