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A conquista comercial de Mato Grosso

Joaquim Amâncio Filho, o Nego Amâncio, começou a trabalhar com caminhão em 1929.

Foto: Divulgação

Em 1934, chegou a Mato Grosso e conquistou para o comércio de Uberlândia aquelas praças distantes que eram abastecidas diretamente por São Paulo através da cidade fronteiriça de Três Lagoas. Na primeira viagem que fez para Lageado (Guiratinga), trouxe carga para seis caminhões. Ele só tinha dois. Arrendou quatro, carregou-os, contratou motoristas e levou-os.

Seu sistema de trabalho era comprar a prazo com seu crédito pessoal, levar, entregar, tirar novos pedidos (sem ganhar comissão), comprar couro seco de boi, arroz em casca, garrafa vazia e trazer. Recebia e pagava depois da safra. O mais importante, no entanto, era chegar com o seu caminhão onde nem estrada havia. Enfiava-se nas trilhas dos carros de bois. Seus principais fornecedores eram Teixeira Costa, Casa Galiano e Joaquim Fonseca. Artigos dentários, comprava no Rodolfo Pereira e medicamentos, na filial da Drogaria Alexandre. A matriz era em Uberaba.

Saía daqui cedinho. Não havendo contratempos, chegava a Alto Araguaia com quatro a seis dias. Em época de chuva, gastava até quinze dias. O normal era fazer todo o trajeto de ida e volta em até vinte dias. As estradas eram um trilheiro. Havia a Companhia Intermunicipal do Fernando Vilela até a ponte Afonso Pena. Daí para frente havia a Companhia Sul-Goiana. Eram proprietárias de estradas ruins. Nego Amâncio dizia que elas eram “picadas com mata-burros nos córregos”. As eram pontes frágeis, a todo momento tinham que ser consertadas. Muitas vezes, os próprios motoristas paravam e faziam isso. Atoleiros demais. Conhecidos. Os motoristas sabiam onde atolariam.

Nego Amâncio fazia pião em Lageado. Montou lá um pequeno depósito. Uns oito tropeiros trabalhavam com ele. Cada um com 80 a 120 burros. Dali, esses tropeiros levavam mercadorias para Cassununga, Tesouro, Monchão Dourado, Cafelândia, Batuvi, Acantilado e Estrela. Além dessas corruptelas polarizadas por Lageado, Nego Amâncio atendia a Alto Araguaia, São Vicente do Bonito (Alto Garça) e outras cidades.

Não sei como, Nego Amâncio afastou Três Lagoas do fornecimento para aquela zona e carreou tudo para Uberlândia. É bem possível que tenha sido pelas estradas, ainda que ruins, mas que permitiam o uso de caminhões. As mercadorias despachadas de Três Lagoas só seguiam por carros de bois.

 

Texto: Antônio Pereira Silva
Fonte: Nego Amâncio.

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