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Campanha política

As figuras do “marqueteiro”, do mágico, do picareta se confundem, na maioria das vezes, durante as campanhas políticas.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

É um insulto ao conceito do marketing que se estuda nas escolas de gestão e é praticado nas empresas. Entendemos que o marketing político tem suas particularidades, conceitos próprios, uma customização necessária para atender a uma atividade que por sinal é muito importante e de grande alcance, em razão de o candidato não poder ser tratado como produto e o eleitor, como cliente – apesar de alguns novatos no campo da política e antigos nas áreas acadêmicas e empresariais insistirem em fazer tal comparação. Estão comparando “tomada de energia elétrica com focinho de porco”. Com muito boa vontade, podemos dizer que “parece, mas não é”.

A prova dessa afirmativa é que os maiores gurus de marketing e estratégia dão consultoria a empresas e a governos, mas não atuam em campanhas políticas. O Marketing político  deve entrar para os currículos acadêmicos, mas com muito cuidado, porque os critérios da ética são diferentes, o empresarial tem como referência  a ética absoluta; o político, na relativa, mas sem passar do limite, como citou Nicolau Maquiavel: “Os fins justificam os meios”, e McNamara disse, em uma das suas lições: “Para fazer o bem, às vezes tem que se fazer um pouco de mal”. Mas todo cuidado é pouco, porque a linha que separa o correto e o errado nessa atividade é frágil. É onde muitos se perdem por falta de conhecimento – ou de caráter.

Temos destacado que é possível fazer campanha política de forma ética, desenvolvendo bons programas e prometendo o que é possível, respeitando as necessidades da comunidade e a inteligência do eleitor. Não é fácil, exige muito trabalho, mas, em compensação, menos dinheiro. É um paradoxo, mas é uma verdade. Como fazer? A maior dificuldade é encontrar um candidato honesto e idealista, em um país onde levar vantagem é um valor impregnado na cultura. O segundo passo é fazer o candidato novo acreditar que é possível ganhar com práticas novas, em um ambiente no qual predominam as velhas. O terceiro, construir uma estrutura de sustentação para atender a esse perfil e implementar uma proposta factível – o grande obstáculo é que, no contexto, predominam elementos viciados. É necessário ter coragem para romper com as velhas práticas.

Como começar? Dando o primeiro passo, fazendo um diagnóstico realista da situação e construindo uma visão de futuro com todos e para todos, na qual entra de fato o verdadeiro marketing, apenas como uma ferramenta de gestão, e não para fazer milagres; e um plano de longo prazo realista para uma cidade, um estado ou um país. Nesse ponto, a seriedade aparece, assim como aparece o bom candidato, que faz parte de uma sociedade com demandas e sonhos.

Concluo com uma citação do amigo Daniel Ladeira: “Reconhecemos uma boa gestão quando há serviços de qualidade nas áreas mais pobres da cidade e quando o cidadão se sente dono do espaço público”. É oportuno lembrar que um dos pontos fortes do presidente Barack Obama é que ele tratou o eleitor como adulto. Esta é uma mensagem a qual acredito que será útil para os que vão concorrer ao nosso voto nas eleições de muitos outubros.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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