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A Escola de Aviação Marincek

Antônio Marincek, piloto brevetado, chegou a Uberlândia em 1937.

Foto: Divulgação

Estabeleceu-se com uma recauchutadora de pneus. Não demorou muito, instalou sua Escola de Aviação Marincek, utilizando um campo de pouso já existente, construído por José Alves dos Santos. Ele tinha conversado com muitos rapazes e notou que se interessavam pela prática do voo. Criada a escola, abertas as inscrições, o primeiro a se apresentar foi Tito Teixeira, com 54 anos de idade. Depois, vieram Carlos Vilela Marquez, Galileu Vilela Marquez, Eurico de Andrade Vilela, Said Neto, Amadeu Marchiori, Antônio Poli, Jeremias Silva, dr. Antônio Mendes dos Santos, José Camin Filho (Tiquino), Aristóteles Silva, Damartina de Freitas (Titina) e Levindo da Costa Pereira. A “mascote” da turma era o menino Hélio Marincek, que já pilotava. Havia instruções teóricas e práticas, pela manhã e à tarde. Depois de bem orientado tecnicamente, o “manicaca” ia para o batismo de voo. Marincek ia junto.

Quando o avião inclinava para um lado, o iniciante pendia para o outro, como se isso adiantasse alguma coisa. Marincek corrigia. As aulas práticas duravam quinze minutos. Eventualmente o instrutor permitia alguns minutos a mais. O noviço aterrissava com dificuldade. Enquanto um voava, os outros ficavam em volta do campo observando as mancadas do companheiro, para os comentários impiedosos. Quando o aluno se sentia à vontade no ar, como se estivesse no chão, o instrutor dava-lhe mais duas horas de voo, a título de confirmação de sua segurança e, em seguida, punha-o para o primeiro voo sem o instrutor. Geralmente isso acontecia após onze, doze horas de treinamento. Com o Galileu Vilela Marquez, no entanto, o solo se deu após três horas e meia, apenas, de treino. Era o campeão da turma. O voo solo não era simples, o candidato ao brevê tinha que executar certas manobras fundamentais.

Quando o solista descia, era recebido pela turma com um banho de lama. Era a aprovação pelos alunos. No dia 27 de março de 1938, fizeram as provas finais para o brevetamento da primeira turma. Veio uma comissão com três tenentes do Aeroclube do Brasil. Foi dia de festa. O campo ficou cheio de gente curiosa. Conta o Tito Teixeira que a rapaziada, quando entrava no aparelho, a primeira coisa que fazia era dizer baixinho uma Ave Maria. Na aterrissagem, Damartina sofreu um acidente e seu brevetamento foi adiado. Encerrando as provas, o menino Hélio Marincek, que não podia ser brevetado por ser menor, fez demonstrações de suas habilidades encantando o povo, as autoridades e os examinadores. Soube por intermédio de Dona Neuza Bombonatto que o Hélio faleceu em 12/4/2010, aos 86 anos de idade, no Rio de Janeiro.

 

Texto: Antônio Pereira Silva
Fonte: Tito Teixeira

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