Entrevista Expresso Foco

Hélio Teixeira fala sobre a Medicina Quântica, descobertas e avanços da área

O professor destaca que a relação mente-corpo sempre esteve presente para pensadores e médicos desde a Antiguidade; consequentemente, distúrbios psíquicos tanto podem ser causa como podem ser consequência de doenças orgânicas.

Foto: Leonardo Leal

Graduado em 1967 pela Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o professor Hélio Teixeira se especializou em Medicina Interna, Nefrologia e Homeopatia.

Além de atender na clínica, ele desenvolveu uma carreira na academia, iniciando a docência em 1971 na antiga FEMECIU (Fundação Escola de Medicina e Cirurgia de Uberlândia), que se tornou a atual Faculdade de Medicina da UFU, onde cumpriu um intervalo para pós-graduação em até meados de 1973.

Ao se especializar em Homeopatia, Teixeira passou a ter uma visão holística do paciente, que o levou à Medicina Quântica. A O JORNAL de Uberlândia, o professor Hélio Teixeira explica as descobertas e o funcionamento dessa área medicinal e o importante papel do paciente no processo de cura. Confira abaixo a entrevista.

 

Fale um pouco sobre o seu trabalho na Medicina e o desenvolvimento de uma visão holística do paciente?

Desde o início, dediquei-me à clínica particular e ao ensino médico na UFU. Em 1980 especializei-me em Homeopatia e, a partir daí, passei a ter uma visão mais abrangente – holística – do doente. Um aforismo basilar da Homeopatia é que o médico precisa conhecer o doente para explicar a sua doença. Isso parte do princípio de que a maioria das doenças, crônicas principalmente, tem origem no íntimo do ser, ou seja, em conflitos em uma das esferas de sua constituição global (física, psíquica, espiritual e/ou social).

A doença, nesses casos, seria apenas a exteriorização desse conflito. Vê-se daí o alcance dessa percepção, pois fica claro que a simples abordagem da doença pode não alcançar a sua origem. Em outras palavras, eliminar pura e simplesmente a doença pode não significar cura do doente. Esse é o chamamento para a recentemente denominada Medicina Quântica (MQ).

 

O que se deve entender por Medicina Quântica?

A relação mente-corpo sempre esteve presente para filósofos, pensadores e médicos desde a Antiguidade. Essa relação é bidirecional, isto é, distúrbios psíquicos tanto podem ser causa como podem ser consequência de doenças orgânicas.

É preciso lembrar que toda matéria, inclusive do nosso corpo, é energia condensada oriunda dos átomos que compõem as diferentes moléculas, células, tecidos, órgãos, sistemas orgânicos… Além disso, produzimos energia a partir dos processos metabólicos internos – e o organismo é mantido vivo dessa forma.

Admite-se que a mente humana é capaz de modular a nossa energia interna tanto no sentido de desorganizá-la – o que significa criar doenças – como, ao contrário, de reorganizá-la e levar à cura. Aqui ocorre um fenômeno que os físicos chamam de singularidade: um estímulo não material (mente) se transforma em estímulos materiais.

 

Há alguma explicação da capacidade da mente humana nas transformações físicas?

A neurofisiologia não tem ainda explicação para essa transformação, mas ela se daria por prováveis eventos quânticos. Fatores capazes de estimular de modo positivo a mente de pessoas doentes podem trazer grandes benefícios a elas.

Estudos da segunda metade do século passado comprovaram, por exemplo, que uma boa relação médico/paciente pode, por si só, representar 60% ou mais da eficácia do tratamento. Ou seja, atua mais do que medicamentos! É como se ele começasse, a partir daí, a movimentar e a “reorganizar” seu sistema energético. A Medicina Quântica procura despertar nos pacientes essa reorganização interna, para que ele mesmo alcance o seu restabelecimento.

 

Em que casos a Medicina Quântica é mais apropriada ao tratamento do que a Medicina Ocidental Clássica?

A Medicina Ocidental Clássica é muito eficiente diante de doenças agudas – embora algumas levem ao óbito, independentemente do tratamento. Mas, muitas vezes, as doenças agudas se curam sem interferência externa, porque o próprio organismo dispõe de inúmeros mecanismos que combatem os agentes agressores que levam ao adoecer.

Em outros casos, os ‘medicamentos internos’ são complementados com medicamentos externos – e ocorre a cura, a não ser em casos especiais. Mas, em termos de doenças crônicas, a Medicina Clássica é incapaz de levar à cura total, a não ser esporadicamente. Consegue, isto sim, prolongar a vida do paciente, muitas vezes com bom controle da doença, mas, para isso, os pacientes crônicos precisam tomar medicamentos a vida toda.

Ou seja, a doença permanece, apesar de todos os recursos modernos de tratamento disponíveis. Basta lembrar que doenças comuns como asma brônquica, enxaquecas, hipertensão arterial, diabete melito e muitas outras obrigam o paciente a se medicar constantemente. Quando desaparecem, o que pode ocorrer, isso se deve aos mecanismos íntimos do paciente, e não à intervenção médica.

 

Em comparação com a Medicina Clássica Ocidental, a Medicina Quântica é mais abrangente na cura das doenças?

A Medicina Quântica, teoricamente, tem potencial de cura total de doenças crônicas e não está limitada a esta ou àquela doença. Trata-se de um sistema que utiliza a força do pensamento para obter a cura. É claro que não se trata de nenhum sistema milagroso ou de um novo tipo de tratamento que vai curar qualquer doença, mas pode ajudar a resolver os problemas de muitos doentes, até mesmo daqueles considerados ‘incuráveis’. Esse resultado, no entanto, depende exclusivamente do doente, da sua capacidade de despertar a extraordinária ‘força de cura da natureza’ (vis naturae medicatrix), da qual todos nós somos dotados. Para se curar, basta ativar essa força.

 

O senhor pode citar algum exemplo que define resultados decorrentes da Medicina Quântica?

Desde o tempo de Hipócrates são relatados casos de cura espontânea de diversas doenças tidas como incuráveis. Entre estas, destaca-se a cura espontânea de câncer, que é inquestionável em alguns casos, embora rara – e que tem sido motivo de inúmeras pesquisas no mundo todo.

Outras curas ocorrem às vezes em centros espiritualistas ou religiosos ou em ritos de diferentes civilizações (africanas, indígenas, asiáticas…); aqui não há interferência da ciência médica e as curas, se ocorrem, são atribuídas quase sempre a milagres ou a curas espirituais. Sem querer desmerecer a fé das pessoas, o fato é que a Física Quântica traz para o campo físico a explicação de muitas dessas curas, desdivinizando, por assim dizer, alguns fenômenos antes inexplicáveis.

Convém lembrar aqui uma frase cautelosa de Santo Agostinho, em seu livro “A Cidade de Deus”: “Milagres não são contrários à natureza, mas apenas contrários ao que nós sabemos sobre a natureza”. Vários médicos já acompanharam pacientes que tiveram regressão espontânea de tumores malignos gravíssimos – e ficaram surpresos com o fato.

 

Quais fatores contribuem para um possível resultado de cura?

São descritos inúmeros fatores que podem contribuir para esses resultados inesperados, como: fatores psicológicos, adequação da resposta imunológica do hospedeiro, inibição do tumor por fatores de crescimento e/ou citocinas, mediação hormonal, eliminação do fator carcinogênico.

Podemos acrescentar ainda: a confiança que o paciente deposita em seu terapeuta (médico ou não médico); a capacidade que o paciente tem de entender profundamente as origens de seus problemas que, às vezes, remonta à infância (ou até a vidas anteriores, para os reencarnacionistas); a aceitação do seu destino sem revolta, mágoas ou desespero; a limpeza de sua mente de todo e qualquer tipo de sentimentos negativos do passado ou do presente, como mágoas, ódio, depressão, angústia, problemas pessoais mal resolvidos…; a disposição para meditar – poderosa arma do autoconhecimento e da expansão da mente.

 

De alguma forma os sentimentos podem influenciar a cura de uma doença?

Na antiga mitologia grega os deuses da medicina e da cura atribuíam ao ‘coração’ os processos de cura, querendo com isso significar que dependiam de manifestações de amor: sentimento, compreensão, compaixão, solidariedade…  É provável que as remissões espontâneas de doenças graves, como câncer e outras, sejam decorrentes de eventos quânticos na fisiologia dos doentes, mesmo que eles não tenham tido consciência disso.

 

Texto: Redação

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