Cultura Destaque Expresso

Virmondes: única baixa de 1930

Derrotado nas urnas e inconformado, Getúlio Vargas promoveu uma revolução a 3 de outubro de 1930, com o apoio dos F e Rio Grande do Sul, que o levou à vitória e à posse a 3 de novembro.

Foto: Divulgação

O Triângulo vivia uma situação delicada: era uma ponta de terra que se interpunha entre os aliados paulistas e goianos, impedindo a união de suas forças. Ficamos entre dois fogos. Nossas forças foram concentradas próximo às pontes sobre os Rios Grande e Paranaíba e aos portos nesses rios. Recrutaram-se reservistas e abriram-se inscrições para voluntários. A cidade viveu momentos de civismo intenso, com a formação de batalhões de voluntários, batalhão feminino, corpo de enfermagem, jornal, intensificação de vigilância noturna e até se fabricou um canhão nas Oficinas Crosara. O quartel-general era no “Museu” (Colégio Estadual).

No dia 17 de outubro seguiu para a Ponte Afonso Pena o nosso primeiro destacamento, chamado “Coluna Revolucionária de Uberlândia”, com 41 soldados usando calça cáqui, lenço, faixa de guerra e um laço auriverde no peito. Entre esses primeiros combatentes seguiu o terceiro-sargento da reserva do Exército Nacional, Virmondes Ribeiro da Silva. Era um pacato cidadão, casado com dona Genuína Ribeiro e pai de dois filhos menores. Trabalhava na construção civil e tinha ajudado Alexandrino Garcia a erguer o muro da frente de sua residência, existente até hoje, à Rua Quintino Bocaiuva, defronte ao extinto Hospital Santa Terezinha. Virmondes tinha servido no 6º BC, sediado em Ipameri, Goiás. Deu baixa como terceiro-sargento da reserva. Tinha participado de escaramuças contra a Coluna Prestes, onde se houvera com dedicação e denodo.

Chegados à Ponte Afonso Pena, os soldados entraram num combate que durou apenas uma semana. No dia 24 de outubro, as forças do governo se renderam. Só houve uma baixa pessoal do nosso lado: a do sargento Virmondes. Nas barrancas do Paranaíba, certo dia, Virmondes foi designado para participar da guarda de determinada trincheira, sendo recomendado que ninguém se erguesse dali. As forças goianas davam periódicas rajadas de metralhadora, que passavam pouco acima da trincheira. Necessitando afastar-se, Virmondes ergueu-se no momento exato em que se disparou uma rajada. Foi colhido mortalmente. Com muita dificuldade seu corpo foi afastado da frente, pois as rajadas continuaram.

No dia 20 de outubro, às doze horas, deu-se o seu sepultamento, em Uberlândia. O caixão foi coberto com a Bandeira Nacional e conduzido até a Igreja Matriz, a pé. Daí seguiu para o cemitério municipal em carro fúnebre de primeira classe, acompanhado pelo povo, pelos batalhões e pelas escolas. Os comandantes estavam presentes.

Logo em seguida, o comandante Camilo Chaves expediu ato promovendo o sargento Virmondes a segundo-tenente.

 

Texto: Antônio Pereira Silva
Fontes: Wilson Ribeiro, Tito Teixeira, Antônio Pereira da Silva, Hildebrando Pontes.

Notícias relacionadas