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Canvas na política

Para os estudiosos de Administração, a inovação é que norteia o mundo contemporâneo

Foto: Max Pixel

O título é um pouco estranho, Canvas na política… qual é o significado? É mais uma ferramenta da Administração que pode ser aplicada na gestão pública e nas campanhas políticas, um desafio que aceitamos utilizar nas consultorias. Está mostrando mais uma vez que o que é bom no setor privado pode ser bom para o público, a questão é estudar e fazer a customização – essa é a parte mais difícil.

A definição do Business Model Canvas, em português, Canvas Modelo de Negócio: é uma ferramenta de gestão empresarial, utilizada há algum tempo pelas grandes corporações, “utilizada por visionários, inovadores, que se esforçam para desafiar os modelos ultrapassados e projetar os empreendimentos de amanhã”. Para os estudiosos de Administração, a inovação é que norteia o mundo contemporâneo.

Canvas Modelo de Negócio, como a maioria das ferramentas, é fácil de explicar, fácil de implementar, mas muito difícil de obter grandes resultados se não houver grande dedicação e profissionalismo. Exige bom investimento para se obter o sucesso esperado. É formado por nove quadros, um sistema orgânico, com uma interdependência que exige um planejamento flexível; a habilidade de um jogar de xadrez, para ter o efeito desejado; uma análise sociológica e até antropológica; e o mais interessante é que permite ser conjugado com outras ferramentas da Administração, como Análise SWOT, Estratégia do Oceano Azul e outras – o que nos transporta para plano superior da inovação, e com isso, é possível conseguir bons resultados.

Na gestão privada já há vários cases, agora estamos utilizando-a em campanha política. Como está acontecendo? De forma resumida e objetiva, vamos transcrever essa experiência. O primeiro passo é preencher o primeiro quadrante, que dá o start para o processo: Quem é o cliente/eleitor? É a parte mais difícil e mais importante, quem são, o que querem. Em seguida, a proposta de valor, o que podemos oferecer a eles. O terceiro, que canais de comunicação vamos usar. O quarto, como nos relacionarmos com o eleitor. O quinto, qual o retorno que o candidato vai obter. Sexto, os principais recursos que teremos que ter, para participar da campanha. Sete, os fatores de sucesso que teremos que possuir. Oitavo, as parcerias, alianças que terão que ser construídas em uma campanha e, por último, o orçamento da campanha.

Mas o mais curioso nessa metodologia de gestão é que, até o quinto passo, a ação corresponde ao lado direito do cérebro; do sexto ao nono, ao lado esquerdo. Há um estudo científico por trás dessa metodologia que tem de ser levado bastante a sério. E no caso de campanha política, em que o cenário muda muito rápido, a área de inteligência da campanha assume a maior responsabilidade, a de monitorar e fornecer informações em tempo real para assegurar a dinâmica do método.

A maioria das pessoas desconhece os bastidores de uma campanha, mas ali é que se constrói o bom ou o mau político. Para fazer o bom, exige-se muito trabalho, muita inovação. Para construir o mau, é mais fácil, basta mentir, dizer o que o eleitor quer ouvir. Para isso não se necessita de uma boa assessoria, mas de um grupo de oportunistas por perto. O Canvas faz diferença nas empresas e pode fazer também em uma campanha política.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico Gestão.
latino@institutolatino.com.br

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