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Comunicar, eis a questão

Aumentaram muito nos últimos anos os meios de comunicação e as informações, mas a maioria das pessoas não se preocupa em se comunicar bem. Boa parte dos profissionais das mais diversas áreas e até mesmo alguns formados em Comunicação possuem grande dificuldade em externar seus conhecimentos. Acredito que o principal motivo é focarem muito o conteúdo e pouco o “como comunicar”. Há aqueles que chegam a entrar em pânico quando necessitam falar para uma grande plateia.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Muitos, acredito, por serem especialistas na sua área, pensam que não precisam comunicar-se bem-esta parte, delegam a quem irá receber a sua mensagem, afinal, eu sei, entender é problema do outro. Entretanto, em um mundo onde tudo exige profissionalismo, não basta apenas saber, mas também transmitir bem seu recado. E quanto maior a responsabilidade da profissão, aumenta a necessidade de expressar-se de forma eficaz. Porque o mau entendimento gera prejuízos.

E quando se tem uma pequena noção nessa área já é suficiente, não para ser comunicador, mas para perceber os erros cometidos por autoridades, pelo fato de elas desconhecerem algumas regras básicas.

Vamos citar alguns deslizes que acontecem na maioria dos eventos: o de a autoridade convidada a falar não conhecer o propósito do evento nem quem está no auditório e acabar contando a sua história, atendo-se ao seu “eu”. Este indivíduo sai satisfeito do evento, mas deixa uma péssima imagem, e muitos dos ouvintes abandonam o local antes do término. Mais uma mensagem para o palestrante: quando as pessoas começam a conversar com o colega ao lado e ficam olhando o relógio.

Outro erro é não seguir o que é elementar: uma fala tem começo, desenvolvimento e conclusão. Não seguir essas três etapas acaba por comprometer o todo, saindo do tema e não obtendo um resultado que permita aos ouvintes tirarem o melhor proveito. Na primeira etapa é cumprimento e anunciar o que se propõe a falar; na fase do desenvolvimento, é dizer o que prometeu na introdução; e na conclusão, que deve ser a mais curta, é o momento em que se destacam os pontos mais importantes e se finaliza, deixando claro que a missão está cumprida.

Há um conceito de que a imagem fala mais do que as palavras. No contexto abordado, isso acontece quando o palestrante não se veste corretamente para o evento, fala com o paletó aberto, não sabe que as mãos são também para comunicar, e as coloca no bolso, ou faz mais gestos do que fala, faz pergunta e cruza os braços, um sinal de que não está muito interessado pela resposta… temos diversos estudos que mostram com muita clareza que o corpo fala, bem ou mal, principalmente os olhos.

Um dos piores erros é não ter controle do tempo, este é cruel e ninguém merece. Certa vez fui a uma formatura na qual o principal orador deveria falar apenas dez minutos; falou durante 60, a tal ponto que os presentes começaram a vaiar, e ele, durante algum um tempo, pareceu acreditar que estava sendo aplaudido. Há regras bem definidas para cada evento, e o tempo certo.

A pior falha é não ter conhecimento do tema e começar a “enrolar”, é ao que mais assistimos. O recomendável é não falar quando não se domina o assunto, é mais elegante e honesto, porque quem está presente tem um objetivo. Quando se domina o tema, se necessário, não é recomendável, mas dá para improvisar. Porém, se for o caso, sugere-se não falar mais do que cinco minutos.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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