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Vigilância esperta

No dia 29 de agosto de 1980, o presidente João Baptista Figueiredo visitou Uberlândia com um apertado roteiro de atividades.

Foto: Divulgação

Chegou às nove e pouquinho e foi ver os detalhes do projeto do recanto Parque do Sabiá e seu estádio. Às dez e quinze, visitou a UFU e já às dez e meia estava no conjunto habitacional Luizote de Freitas para inaugurá-lo e entregar novas chaves sorteadas. Grande massa popular rodeou o palanque. Ao meio dia foi à Granja Rezende e à fazenda Santa Tereza almoçar.

Depois disso, às duas e meia da tarde, o presidente foi para o Pavilhão da Indústria e Comércio, inaugurou a VII FENIUB e presidiu a abertura do Salão da Independência, anexo à Feira. Às 16 horas, foi à avenida Rondon Pacheco lançar a Campanha Nacional de Ciclovias, onde se realizou o belo Passeio Ciclístico da Independência. E foi embora.

Houve um equívoco pitoresco. À véspera da vinda do Presidente, três bombas inquietaram-no: uma, na sede da OAB que resultou na morte de uma secretária, outra na Assembleia Legislativa e outra na sede de um jornal alternativo. As autorias não ficaram definidas.

O presidente trouxe um discurso indignado com a morte de inocentes que não tinham nada a ver com o governo. No Luizote, sua fala foi nervosa, mas não satisfeito com o teor do discurso, encerrou-o com um vigoroso desafio: “Joguem a bomba em mim, seus covardes!” O vereador Jeovah Abrão, presidente da Câmara Municipal, inadvertidamente gritou em resposta:

– Muito bem!

Os seguranças, sempre atentos e desconfiados, sem pensar muito, avançaram sobre o manifestante prontos para umas bordoadas ou pelo menos um “teje preso!” O jornalista Luiz Fernando Quirino foi quem parlamentou com os brutamontes: “Gente, quando ele gritou “muito bem”, ele não quis aprovar que se jogasse uma bomba no presidente, não. Ele quis enaltecer a coragem do presidente em desafiar os terroristas! ”

Não foi fácil.

 

Texto: Antônio Pereira Silva
Fontes: Luiz Fernando Quirino e Ademir Reis

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