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Carnaval de rua também é para roqueiros

Para os limitados que pensam que carnaval se resume em samba e axé, conheça os blocos Tô de Bowie, Sargento Pimenta e o do Tissa que está por vir

 

Anderson Tissa é jornalista, publicitário e autor da coluna “Vida Longa, Baby”. / Imagem: Douglas Luzz

É carnaval. Em localidades como São Paulo, Rio e BH, diversos bloquinhos já desfilam pelas ruas há alguns dias. Em Uberlândia não temos esta cultura o que faz da cidade um eterno marasmo até a quarta-feira de cinzas. No sábado de carnaval, você pode descer a Floriano pelado e saltando com uma perna só, como se fosse o bloco do Folião Solitário, pelas ruas do Centro da cidade em plena luz do dia que mesmo assim não será notado. É que ninguém fica por aqui. E os que ficam, aproveitam a data para descansar ou curtir de uma maneira mais light.

Acho uma pena Uberlândia não ter carnaval de rua. Pois trata-se do formato de festa mais democrático do mundo. As opções para os foliões locais são os clubes que cobram um absurdo para os não sócios e a folia é sempre bem meia-boca. Agora se tivéssemos uma programação oficial com diversos blocos espalhados pela cidade, acredito que a diversão seria outra. Enquanto um rodaria o Patrimônio, Copacabana e Morada da Colina, outro, ao mesmo tempo, subiria o Tabajaras e pararia no Fundinho. Mais uma turma sairia do Cazeca até as ladeiras do Lídice. E no Santa Mônica, cujo um dos blocos poderia se chamar Santa Bronx (fica a dica), cortaria a UFU bairro a dentro.

Para os limitados que pensam que carnaval se resume em samba e axé, veja alguns exemplos de São Paulo e Rio. Na capital paulista, o Bloco Tô de Bowie, no qual os integrantes pintam os rostos com raios e muita purpurina, tocam apenas canções de David Bowie. Já no Rio, o Bloco Sargento Pimenta, o nome é uma analogia ao álbum Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, homenageia os Beatles durante os dias de folia. Outro paulistano é o Bloco 77, que manda os clássicos punk e marchinhas repaginadas como “Olha o Moicano do Zezé”.

Tem também a opção dos blocos serem mais ecléticos, como em Diamantina. Passei algumas vezes o carnaval da cidade de Chica da Silva, e em todas as vezes ouvi muito rock n’ roll. As bandas Batcaverna e Bartucada, que na época se apresentavam no carnaval, tocavam sempre The Doors, Planet Hemp, Raimundos e outras bandas no suingue do Timbalada. Era um som muito doido!

Como havia dito anteriormente: – o carnaval trata-se de uma festa democrática.

Porém na contramão da atual cultura local, assim como o rock n’ roll, um grupo de pessoas tem procurado inserir essa vibe nas ruas. Ainda são blocos alternativos e com pouca divulgação. Apesar de ainda não existir uma programação oficial, pelo que sei vai rolar uma folia no sábado dia 10, às 14h, no Patrimônio. O nome da parada é Carnaval na Praça (Av. Francisco Galassi, nº 855) e mesmo não sabendo se o rock estará no repertório, darei uma passada por lá fantasiado de cabelos brancos.

Nosso carnaval de bloquinhos de rua ainda está engatinhando. Para um dia sermos grandes como BH, Rio e São Paulo, é preciso começar. Tenho diversos amigos envolvidos com projetos culturais que já manifestaram vontade em contribuir. Mas o assunto sempre começa logo após o carnaval, talvez pela empolgação da festa, e se perde ao longo dos próximos meses caindo em total esquecimento no segundo semestre do ano.

Gostaria sim de ver isso acontecer em Uberlândia, e até tentaria fundar um bloco (de roqueiros, claro). Não puxaria por não cantar e também por limitações físicas, e por esta razão acredito que este bloco deveria ser estático. Seria o primeiro BLOCO DE CARNAVAL ESTÁTICO DE ROCK N’ ROLL DO MUNDO. Mas por ora vou prestigiar a galera citada acima. Quem sabe no próximo ano o Velhas Virgens não puxa o nosso bloco, ao som do Carnavelhas?

Obs.: a pedidos do revisor o bairro Santa Maria foi poupado da folia.

Texto: Anderson Tissa
Revisão: Pedro Ivo

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