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Lições de Robert McNamara

Para muitos, uns dos chefes do Pentágono mais odiados da História

Foto: Divulgação

Em julho de 2009 morreu McNamara, Secretário de Defesa americano nos governos John F. Kennedy  e Lyndon Johnson. Contribuiu de forma efetiva no meio acadêmico como professor de Harvard; na iniciativa privada, sendo o  primeiro executivo da Ford que não era membro da família; no serviço público, ocasião em que causou certa polêmica; e em serviços humanitários, como presidente do Banco  Mundial.

Para muitos, uns dos chefes do Pentágono mais odiados da História. Para alguns, o mundo poderia até não existir – e o fato de ainda estarmos aqui é devido a McNamara, que evitou um conflito nuclear entre as duas grandes potências da época, Estados Unidos e Rússia.

Mas quem pesquisar vai concluir que, no campo da Administração, McNamara nos deixou um grande legado. No campo político cabe uma análise mais profunda, não é o objetivo deste artigo, até por questões de profissão. Na área da estratégia, merece grande destaque e, em época de crise, como a que estamos vivendo, é bom pesquisar todas as fontes. Devemos buscar experiência em países, e à frente destes estão as pessoas.

Para chegar ao ponto que queremos destacar, é necessário olhar a história da Administração. Na primeira etapa, estuda-se nas escolas de negócios, a escola clássica, com destaque para o fordismo no início do século XX, responsável pela criação da linha de produção. Coube a McNamara em 1960 a reestruturação da Ford, que estava, na época, desorganizada e perdendo muito dinheiro.

Além do seu trabalho, McNamara nos deixou onze lições clássicas, úteis tanto aos estrategistas da área privada, como da pública. Em tempos de crise, elas devem ser analisadas. São as seguintes: 1- Tenha empatia com o inimigo. 2- Proporcionalidade deveria ser uma regra na guerra. 3- Existe algo além de nós mesmos. 4- Acreditar e ver estão ambos, frequentemente, errados. 5- Esteja preparado para reexaminar as suas razões. 6- Consiga dados. 7- A racionalidade não nos salvará. 8- Não se pode mudar a natureza humana. 9- Maximize a eficiência. 10- Para fazer o bem, talvez você precise se aproximar do mal. 11- Nunca diga nunca.

Analistas comentaram que o Presidente Bush desconsiderou a maioria das onze lições, principalmente a penúltima, e se aproximou demais do mal.

Se analisarmos o que acontece hoje no País, podemos encontrar, em cada uma dessas lições, um erro nas decisões que acontecem nos governos e nas corporações brasileiras. Mas no momento o mais importante é utilizá-las para vencer a crise, que pode ser comparada a uma guerra.

Não há espaço para comentar com profundidade todas as lições, mas está claro que existe pouca ou nenhuma empatia entre governo e oposição. Que o plano de ajuste econômico erra na proporcionalidade. Que a classe política ignora que existe algo além deles: a população. Que ambas as partes, políticos e eleitores, estão erradas. Que ninguém quer reexaminar as suas razões. Que os dados foram manipulados e trazem agora sérios problemas. Que há mais emoção do que racionalidade. Que o presidente não vai mudar a sua natureza. Que o que está sendo maximizado são os erros, e não os acertos. Que a aproximação do mal foi exagerada, o que explica, mas não justifica, a corrupção. Que “nunca antes na história deste País” o “nunca” foi utilizado de forma tão equivocada.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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