Destaque Editorial Expresso

O produtor de café está um passo à frente

O produtor de café deveria ser chamado de “Sua Excelência” no Brasil, pois somos o maior produtor do mundo, não apenas em volume, mas também em qualidade. O que estamos escrevendo pode servir para outras atividades, mas estamos na região do café.

Foto: Pixabay

Minas Gerais é o maior produtor; a nossa região, o Cerrado, se destaca pela inovação, por ter a certificação de origem, como aconteceu com o vinho no Velho Continente.

Entretanto, esse não é o tema central deste artigo e, para fundamentá-lo, abordamos aqui parte da Carta da Revista Exame de 20/12/17, cujo título foi “Negócios de Valor” – leitura obrigatória para aqueles que ainda não perceberam o valor de quem produz corretamente.

A carta cita o consultor americano Michael Porter, o maior especialista em estratégia competitiva do mundo, que considera o lucro como um propósito social, afirmando que representa uma forma superior do capitalismo, capaz de levar à prosperidade de forma sustentável. Porter, ao lado do americano Mark Kramer, cunhou a expressão “valor compartilhado”.

Essa expressão deve ser discutida de forma ampla por todos, mas principalmente em cidades onde a renda de seus habitantes vem predominantemente de uma cultura. Estamos começando a falar de Sua Excelência, o Sr. Produtor de Café. De acordo com a citada tese, que alguns já chamam de novo capitalismo, “valor compartilhado não se refere a filantropia ou mesmo sustentabilidade, mas a uma nova forma de obter sucesso econômico; não é algo na periferia dos negócios, mas está no centro do que a empresa faz”.

Estamos agora preparados para afirmar que o produtor de café pratica o “valor compartilhado”, ou seja, que a criação de um mundo melhor está no centro da estratégia dos seus negócios. Com destaque para as cooperativas – sem elas os pequenos produtores não sobreviveriam e muitos municípios não teriam qualidade de vida. Em centenas deles onde se produz café, de forma indireta ou direta a receita do município tem origem nesse produto. E normalmente o Poder Público não reconhece na dimensão necessária a importância e o papel do setor. Um bom exemplo: o Senado querendo “sepultar” a Lei Kandir, voltar o imposto a produtos exportados. Exportar é difícil, com imposto é impossível.

Taxar a exportação é punir quem gera valor para a sociedade, é impedir a geração de empregos. Tal atitude tira a competitividade dos que geram riquezas; a função de quem produz é gerar valor. Outro erro é transferir ao setor produtivo funções da área pública, é tirar quem produz do foco e inibir a competividade, como foi a onda das empresas assumindo atividades sociais e, mais recentemente, ambientais, quando elas estão além do negócio.

É a produção do café que atrai as revendas, os visitantes, as feiras. E onde existem faculdades, estas têm como sair dos livros para a prática. O café não é igual ao minério, é uma cultura renovável, na qual o emprego permanente ou temporário é responsável pela economia.

É valor compartilhado! Muitos ainda não perceberam que o café é o principal gerador de renda desses municípios e possibilita condições de vida para as pessoas. Temos ainda muito para consolidar, quando discutimos “valor compartilhado”, mas os produtores de café estão um passo à frente.

 

Editorial – O JORNAL de Uberlândia

Notícias relacionadas