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Maldição da comoditização

Começamos com uma frase dos principais gurus contemporâneos da Administração, o americano Gary Hamel, que originou o título deste artigo. Hamel, com muita propriedade, afirma que “só com a inovação é possível escapar da maldição da comoditização”.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Considerando essa provocação, temos que refletir muito, por três motivos. O primeiro é que predominam nas nossas exportações as consideradas commodities, destacando-se soja, minérios, óleos brutos do petróleo, açúcar, celulose, carne, café. O segundo ponto é que “o Brasil ficou na 69ª posição no índice nacional de inovação, elaborado pela Universidade de Cornell, pela Escola de Negócios Insead e pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Foram analisadas 130 economias e Brasil está estagnado”.

E temos que considerar um terceiro fator, de grande significado, de acordo com matéria da Revista Exame de julho de 2016: “Nenhuma universidade brasileira entrou para o Top 100 do mais recente ranking mundial de instituições de ensino superior publicado pelo Center for World University Rankings (CWUR)”.

Quando relacionamos esses três fatores estratégicos – predominância de commodities, baixo índice de inovação e não participação das universidades no ranking mundial –, somando-os ao acelerado processo de mundialização da economia, temos que repensar muito o modelo de produção segundo o qual a maioria das empresas tem pouquíssimas relações com o mercado internacional e a área pública nos parece estar mais preocupada em arrecadar impostos do que em gerar riquezas. Não temos um bom ambiente de negócios.

Com a riqueza que temos, tudo em abundância, não era para estarmos na situação em que nos encontramos. É necessário acreditar, ter uma visão positiva, cultivar amor pelo País e despertar sonhos, principalmente nos jovens. Devemos começar a valorizar o que temos, não podemos aceitar que a nossa produção seja mal remunerada porque é considerada insumo, não há produto acabado sem ela, principalmente quando é produzida corretamente – além do fato de, na maioria das vezes, só ser encontrada em nosso País.

Temos que levar muito a sério as palavras de Gary Hamel, inovar em todas as áreas, fazer com os governos priorizem a educação, com destaque para a pesquisa. O momento é oportuno, em razão de vivermos uma época na qual os modelos de organizações no mundo todo estão sendo repensados, devido ao avanço da tecnologia. E há motivos para termos orgulho de ser brasileiros.

 

Texto: Hélio Mendes  
Professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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