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Primeira função é planejar

Tudo começa com o planejamento. Isso é o certo, mas nem sempre é o que acontece. Predomina em muitas empresas a prática do improvisar, utilizam a velha (e válida em algumas situações) boa e a má intuição, a experiência do passado, não como base na construção de pensamento novo, mas apenas como repetição, sem muita reflexão.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

É necessário recorrer sempre à história, é como estilingue: “quanto mais esticamos a borracha, mais longe se lança a pedra”. E, nesse sentido, transportamo-nos para o início do estudo da Administração, em que Henri Fayol, um dos precursores da teoria clássica, apesar de ter sofrido muitas críticas pela visão do Homem Econômico e pela busca da máxima eficiência, nos deixou muitos legados. Dentre eles, as cinco funções do administrador: planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar.

Cem anos depois, essas cinco recomendações continuam válidas. Algumas inovações e modismos tentaram substituí-las. Até agora, a primeira alteração é o ‘planejamento’, que antes era ‘prever’. Melhorou, mas no conjunto é a mesma coisa. Não por questão de se tratar da nossa especialidade, mas antes o mercado era quase estático, hoje é dinâmico; antes a oferta era quase igual à demanda e havia pouca competição, hoje vivemos outro momento.

Isso levou a se acrescentar ao planejamento macro a palavra ‘estratégia’, ou seja, a empresa tem que ser administrada de fora para dentro, a sua estrutura tem que ser flexível para concorrer em um mundo globalizado. E, com o evento da internet, a situação mudou mais ainda, compramos a qualquer hora em qualquer parte do mundo.

Temos uma divisão clássica, que também tem passado por grandes mudanças, ou seja: em relação ao Planejamento Estratégico, que era feito pela cúpula das empresas e com visão de longo prazo; ao Tático, que era elaborado pela gerência intermediária, com visão de médio prazo; e ao Operacional, para atender ao curto prazo… há hoje uma fusão dos três em alguns aspectos. Todos da organização, de forma direta ou indireta, participam da elaboração e do gerenciamento do que se esquematiza nos três níveis de planejamento. A relação com o ambiente externo é feita em tempo real, não dá mais para dispensar a inteligência de todos os que participam da organização.

Mas algo não mudou, apenas tem sido aperfeiçoado ano a ano, ou até antes: o Planejamento Estratégico ainda é a principal ferramenta das empresas, tornou-se processo, tem que ser extremamente customizado para cada organização. Não se pode abrir mão de uma visão de longo prazo, mesmo sabendo que esta pode se alterar a cada momento. Tem que ser democratizado de forma ampla e inteligente; muitos empresários que ainda cultivam o medo de compartilhar as informações com seus colaboradores cometem um grande erro.

Podemos comparar as empresas que não possuem planejamentos de longo prazo com carros que viajam com a luz alta queimada: conseguem iluminar a poucos metros de distância; e as empresas que não compartilham suas informações, aos navios antigos, quando alguns queriam remar o barco sem ajuda de terceiros.

 

Texto: Hélio Mendes
Professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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