Destaque Economia Expresso

Engajamento e gestão

Transcrevemos e vamos comentar uma enquete, realizada no site da Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH em 17 de novembro de 2016 e publicada no jornal O Estado de São Paulo, que nos deixou muito preocupado, considerando o momento que estamos vivendo e a posição do Brasil no contexto internacional.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

A enquete apontou que “o engajamento dos profissionais com as empresas está comprometido nesses tempos difíceis: 48% dos internautas responderam que o engajamento em suas organizações é médio; para 39%, é baixo; apenas 11% consideram que seja alto e, felizmente, só 2% afirmaram que não existe engajamento”.

“Esses números estão de acordo com o resultado de uma pesquisa internacional recente do Gallup, que mostrou apenas 13% das pessoas no mundo engajadas com as organizações em que trabalham –  nos Estados Unidos o resultado foi bem melhor, indicando 33%”, compara Marcos Ernesto Humberg, diretor de Comunicação da ABRH-Brasil.

Para Humberg, o baixo engajamento resulta de fatores diversos, como pouca transparência e má comunicação interna, o que gera desconhecimento sobre os objetivos da organização e raras oportunidades de manifestações dos empregados: falta de valores claros e compartilhados e constantes mudanças de gestão ou controle das empresas.

A pesquisa Gallup mostrou que as empresas onde há maior engajamento são mais produtivas, mais lucrativas e têm menor absenteísmo, entre outras vantagens competitivas. E ainda apontou que a principal medida para melhor o engajamento é a ampliação do conhecimento de cada um sobre o que se espera de seu desempenho, definindo em conjunto suas metas, finaliza Humberg.

Essa enquete e Humberg nos mostraram o diagnóstico cruel da nossa realidade: o maior problema está na gestão. Pela nossa experiência, podemos afirmar, são poucas as empresas nacionais que possuem planejamento estratégico, e estas não o utilizam na sua plenitude. A missão e os valores, na maioria, são informações que não fazem parte da cultura das organizações, os funcionários os desconhecem. Poucos entendem que a missão é a razão da existência da empresa e que os valores devem definir o comportamento dos diretores e de todos os funcionários. Valores devem orientar o recrutamento, o treinamento, a avaliação de desempenho, as promoções e as demissões.  Não podem apenas ser informações para decorar a entrada e o site das empresas. São algo para ser lembrado e praticado em todos os momentos e por todos. Essas práticas são levadas muito a sério pelas multinacionais. As nossas empresas têm um longo caminho para percorrer; passar de 11% para 33% não se faz muito rápido.

A maioria das empresas nacionais possuía quase tudo, mas se esquecia de que precisa de princípios gerenciais; de um modelo de gestão sistêmico e orgânico; de que as pessoas não são recursos, e sim, construtoras e gerenciadoras de todos os recursos. Não é fácil mudar a cultura organizacional, mas é cada vez mais necessário. Outro desafio para as empresas é a preocupação com a felicidade de seus colaborares e parceiros, fundamental para o engajamento no trabalho.

 

Texto: Hélio Mendes
Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

Notícias relacionadas