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“Não podemos apenas votar, temos que procurar conscientizar todos de que não há mais o campo e o urbano”

Em entrevista a O JORNAL de Uberlândia, o presidente da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Francisco Sérgio de Assis, comenta a visão do setor sobre a política no momento atual, as eleições e destaca que não se pode mais falar em “cidade” e “campo” separadamente. Confira a seguir.

Foto: Divulgação

A Federação dos Cafeicultores do Cerrado realizou em novembro de 2017, pela primeira vez, o planejamento de longo prazo na área política. Qual foi a principal motivação?

Acredito que é a de todos os brasileiros, por tudo o que está acontecendo. Não podemos apenas votar, temos que procurar conscientizar todos de que não há mais o campo e o urbano. A maioria das pessoas que trabalham na produção do café mora nas cidades e produz para as cidades, são rurais e urbanas – o que é bom para a cidade e bom para o campo. E a política atinge a todos. Se as coisas chegaram, na política, aonde chegaram, a responsabilidade não é só dos políticos. Temos que dar mais qualidade à política.

 

Há ações para o setor do café participar com mais intensidade da eleição de 2018?

Sim, e muitas: temos que começar a discutir qual o político que tem condições de atender à cafeicultura nacional, um projeto para o País, porque temos visto muitos políticos pensando apenas em benefícios pessoais . Temos que eleger estadistas, e não mais despachantes. Vamos ter nesta eleição um novo eleitor.

 

Como você avalia os candidatos que têm sido votados na região do café?

Quem vai avaliar será o eleitor. A Justiça está fazendo muito bem o papel dela. O que temos que perguntar na hora de votar é: o que os atuais políticos fizeram para a região? Para os produtores de café, que, na maioria das cidades, são responsáveis pela maior parte da receita? O que melhor podemos fazer, e temos feito, é gerar riquezas e oportunidades para todos. Sem emprego não há qualidade de vida, sem receitas não há municípios.

 

A Federação terá candidatos do café?

A Federação não tem partido, estamos construindo um ambiente que permita avaliar o que temos recebido dos políticos, porque nas eleições têm predominado as promessas, e não ações concretas que beneficiam a todos. A região, o País de uma forma geral precisa cada dia mais e mais de infraestruturas e serviços de qualidade, a competição há muito passou a ser com competidores mundiais. Não fomentamos competição entre regiões e estados nacionais: hoje reconhecemos como concorrentes os países produtores.

 

Qual a expectativa para os próximos anos na área política?

Há uma insatisfação com a classe política no plano estadual e no federal. Esta é uma eleição na qual devemos escolher pela qualidade, e não por pequenos favores ou amizade. Somos companheiros e amigos dos líderes locais, estamos conversando, caminhamos juntos, temos os mesmos ideais. Temos orgulho do que fazemos, mas as desigualdades podem diminuir se escolhermos bons políticos. O produtor nunca desistiu da produção e do Brasil. Por tudo o que está acontecendo, temos que repensar o País. E o voto é uma ferramenta.

 

Texto: Redação

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