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Jogo de realidade virtual da Engenharia Elétrica ajuda na adaptação a próteses

Projeto é desenvolvido há dois anos na UFU

O tirante com os sensores é conectado ao jogo. (Imagem: Raimundo Nascimento)

Criado na Faculdade de Engenharia Elétrica (Feelt/UFU), o Jogo Sério é um game de realidade virtual que pode auxiliar pessoas amputadas a se acostumarem mais facilmente com o uso de próteses. Ele simula um ambiente em que o jogador precisa fazer movimentos com a prótese, como abrir e fechar a mão e pegar objetos. Essas ações são controladas à medida que o jogador mexe um dos ombros, enquanto utiliza um tirante.

Estudante de Engenharia Biomédica, Adrielle Moraes participa do projeto como Iniciação Científica (IC). Ela explica que o jogo funciona por meio de dois sensores. “Um deles é o potenciômetro, que vai se interligar diretamente com o tirante, que é parte da prótese. Ele atua como uma escala que vai de zero a 100: zero é quando a pessoa está com a mão aberta e 100 é quando está com a mão fechada”, descreve.

À medida que o indivíduo vai fazendo movimentos para abrir e fechar, ele vai deslocando o ponto de lugar. Assim, os dados são transmitidos para o computador e são interpretados para imitar o que está ocorrendo. Já o outro sensor serve para captar os movimentos. “Ele vai pegar a posição do braço aqui no ambiente real e vai transferir ela para o jogo”, explica Moraes.

Mestrando em Computação Gráfica, Reidner Cavalcanti explica que o primeiro passo para utilizar o jogo é calibrar o sensor. “Assim, toda a movimentação que eu fizer com o braço vai ser representada no ambiente virtual. Se eu fizer uma força com o ombro, ele vai puxar o potenciômetro e isso vai gerar uma reação no ambiente virtual, que vai ser a de fechar a prótese. À medida que eu for relaxando o ombro, essa mola vai retornando para a posição inicial”, conta.

O projeto já é desenvolvido há cerca de dois anos e, por enquanto, está focado em contribuir para a adaptação de pessoas com braços amputados na região abaixo dos cotovelos. A próxima etapa é que o jogo seja testado por alguém com essas características. O game tem cinco níveis e, conforme o jogador aprimora suas habilidades, vai evoluindo e passando para atividades mais complexas.

Todo o processo de testes será acompanhado por um profissional da saúde. “Será alguém habilitado para determinar se o paciente está conseguindo acompanhar seu objetivo, se ele precisa refazer aquele processo e se ele já pode avançar. Assim, garantimos que ele tenha um desenvolvimento cada vez melhor dentro do ambiente virtual”, explica Cavalcanti.

O coordenador do estudo, Edgard Lamounier, diz que o Jogo Sério é parte de um projeto maior, que tem como um dos objetivos imprimir próteses em uma impressora 3D. A equipe conta com o apoio financeiro de uma empresa norte-americana e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Até então, já foram investidos cerca de R$ 100 mil em equipamentos para o projeto.

“Estudos têm mostrado que o grande desafio não é a fabricação da prótese em si, mas o paciente se adequar ao uso da prótese. Então, com toda essa tecnologia, nós queremos diminuir o tempo de adaptação e fazer com que essas pessoas possam ter a qualidade de vida retomada o mais rápido possível”, explica o professor Lamounier.

 

Texto: Comunicação UFU

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