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Empresas tradicionais X Empresas de alto desempenho

Sessenta e sete anos já se passaram da experiência realizada nas minas de carvão da Inglaterra, quando um ex-trabalhador, após fazer um curso de pós-graduação, apresentou pesquisa que provou ser possível criar organizações de alto desempenho, afirmando que o principal fator para isso não era a tecnologia, mas o trabalho em equipe. Outros autores conseguiram criar metodologias que permitem classificar a empresa como  tradicional ou de alto desempenho, numa pontuação que considera, de um a sete, que ela é tradicional e, acima, de alto desempenho. E quando atualizamos os conceitos e avaliamos a empresa com base nesses critérios, chegamos à conclusão de que há poucas de alto desempenho.

Hélio Mendes é professor e consultor de Planejamento Estratégico e Gestão. Foto: Divulgação

Apresentamos um resumo de alguns dos fatores utilizados na avaliação:

Estratégia – a tradicional imita os concorrentes; faz o planejamento e este fica no âmbito da diretoria; a maioria das pessoas não conhece a visão e a missão da empresa; não está clara para o mercado a sua estratégia competitiva e não há metas e indicadores para áreas ou unidades de negócios da empresa. A empresa de alto desempenho investe muito em pesquisa, está sempre lançando novos produtos, o planejamento é compartilhado com todos, a visão e a missão norteiam os passos da empresa, está claro para todos como ela se diferencia no mercado. As metas têm como referencial o Planejamento Estratégico.

Inovação e espírito de equipe – na tradicional, as novas ideias são ignoradas; quando as pessoas assumem riscos e fracassam, são punidas; e quando as pessoas tentam mudar as coisas, não são recompensadas. Na de alto desempenho, há busca e experimentação constante de novas ideias, os funcionários que assumem riscos e fracassam são estimuladas a tentar de novo e as pessoas que  provocam mudanças são promovidas.

Aprendizado – na tradicional existem poucas oportunidades de aprender novas habilidades, o aprendizado é pouco recompensado, o treinamento fora da área é visto como perda de tempo, o foco do treinamento é feito na obtenção de resultado no curto prazo. Na de alto desempenho existem muitas oportunidades de apreender novas habilidades, o aprendizado é valorizado e recompensado, as pessoas são estimuladas a aprender o máximo sobre tudo, há um tempo para o aprendizado, o treinamento em outras áreas é norma e não fica apenas nas habilidades.

O papel da gerência – na tradicional os gerentes dizem às pessoas exatamente o que devem fazer e depois vigiam para garantir o cumprimento das normas; consideram-se responsáveis pelas ordens, geralmente não dizendo aos funcionários como estão se saindo; e os gerentes veem sua própria presença como sendo essencial para a execução dos trabalhos. Na de alto desempenho os gerentes explicam os resultados necessários e ajudam seus subordinados, consideram-se facilitadores, estimulam a inovação, oferecem feedback regular aos funcionários sobre como eles estão se saindo; veem sua presença como útil, mas não essencial à realização dos trabalhos.

Quando há vontade nos dirigentes das organizações, por meio de técnicas de Desenvolvimento Organizacional – DO, é possível transformar uma empresa tradicional em uma de alto desempenho. Com o aumento da competição no mercado, fazer isso se torna necessário, por questão de sobrevivência.

 

Texto: Hélio Mendes
Prof. e Consultor de Planejamento Estratégico e Gestão
latino@institutolatino.com.br

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