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O show precisa acabar

São incontáveis as tentativas de sucesso que morrem. Mas muitas delas são como o rock: renascem das cinzas.

Anderson Tissa é jornalista, publicitário e autor da coluna Vida Longa, Baby!

São os momentos finais do show. Estamos no último bis, depois de um ano de turnê. E digo a você que foi muito exaustivo. Para a banda funcionar foi preciso empenho e compromisso de cada integrante. Não houve virtuosismo e muito menos firula. Mas houveram vários momentos em que acertamos no repertório e por outras, não desafinamos. Apesar da banda ter lançado alguns hits e estar no caminho certo, chegou a hora de dar tchau.

Creio que muitos já sabem que o jornal encerra as atividades neste 28 de fevereiro. Uma pena. Pois diferentemente dos outros não possuía uma versão impressa, era voltado 100% para o digital. Sem dúvidas uma proposta inovadora para a nossa realidade que infelizmente não vingou. Há tempos o digital deixou de ser uma promessa, o que nos coloca a anos luz de terabytes de diferença de outros mercados. Chega a ser frustrante.

Até hoje é difícil de acreditar que me convidaram para assumir uma coluna. Sinceramente, seu eu fosse o dono do jornal não me convidaria de jeito nenhum para escrever. Ainda mais com a responsabilidade de falar sobre um gênero musical de tamanha importância. É claro que sou muito grato pela oportunidade, espaço e, principalmente pela confiança depositada em mim, mas convenhamos, me convidar não foi uma atitude muito responsável da diretoria.

Já que aceitei escrever, tentei caprichar nos textos e estou satisfeito com o que entreguei. Espero ter agradado não só a diretoria como também o público, que por muitos momentos correspondeu positivamente. A coluna foi algumas vezes a mais lida da semana. Para um espaço que sempre falou de rock n’ roll não deixa de ser um feito. Estou orgulhoso? Sim, não só pela resposta do público, mas também por ter tido a chance de contribuir com um jornal diário local e, mesmo que por muito pouco, de participar de uma parte da história da cidade.

Muita coisa não chega aos leitores, como: as dificuldades de se fazer jornalismo independente no nosso mercado. E o que muita gente também não sabe é que este projeto foi feito por um grupo de pessoas comprometidas em levar informação de qualidade e relevante aos cidadãos de Uberlândia. Nem sempre um projeto depende apenas de pessoas talentosas e com boas intenções, os Beatles são exemplo disso.

Ainda tínhamos uma série de assuntos para tratar e um pá de pauta legal para a coluna, inclusive uma entrevista com um punhado de palavrões com o cantor Lobão. Existe a possibilidade desses novos textos serem publicados neste mesmo espaço, mas ainda não está certo. Se não rolar, talvez eu monte um blog ou faça um e-book, sei lá.

Durante a vida, são incontáveis as tentativas de sucesso que morrem. Mas muitas delas são como o rock: renascem das cinzas. Vamos ver o que o tempo reserva para todos nós, mas agora é o momento do apagar das luzes. Como diria John Lennon: “o sonhou acabou”.

Texto: Anderson Tissa
Revisão: Pedro Ivo.

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