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Iniciativa ajuda pacientes do HCU a lidarem com a rotina de tratamento

Projeto “Amigos do Coração” mantém uma brinquedoteca para crianças que frequentam o hospital

É disponibilizado um espaço com brinquedos, atividades pedagógicas e monitores voluntários para crianças em tratamento (Imagem: Lucas Cardoso)

Escolher o lápis de cor que vai dar vida ao desenho é só uma das tarefas entre tantas outras possíveis na brinquedoteca da pediatria do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU). Trata-se do programa Amigos do Coração, idealizado em 2009. Aguardar a consulta médica ficou bem mais divertido para as crianças que fazem algum tratamento cardiológico.

De acordo com Lêda Borges, coordenadora do programa, a iniciativa partiu da observação de profissionais do HC em relação à espera dos pacientes. “Esse programa surgiu a partir da demanda desse atendimento. Primeiro, as crianças ficavam no corredor aguardando, então, na época, o diretor técnico falou: ‘É desumano essas crianças esperarem o atendimento nesse espaço’. Tinha esse espaço aqui com essa casa. Aí nós fomos, com a ajuda da comunidade, da direção do hospital e do ministério público, nós conseguimos recursos para aumentar o espaço de acordo com as necessidades das crianças”.

A equipe do programa é multiprofissional e atende na segunda e terça-feira aproximadamente 170 crianças que tem algum problema no coração. “[Os pacientes] apresentam o cartão na secretaria, passam pela sala de enfermagem, é feita uma triagem, peso, medida e vêm pra cá. Aqui no espaço aguarda atendimento. Nós temos hoje a chamada eletrônica, que é chamado no painel. No painel, aparece o nome da criança, a foto e a sala que ela vai ser atendida”, explica Borges.

Igor é um dos pacientes que participa do programa. Ele fica concentrado na pintura enquanto espera ser atendido pelo médico. O menino tem 11 anos, e desde que era bebê tem um problema congênito no coração. Para o tio Wellinton Souza, que o acompanha nas consultas, o espaço contribui positivamente para o tratamento do sobrinho. “Para ele e para todas as outras crianças, é muito bom esse espaço, porque elas interagem entre si e isso ajuda no desenvolvimento delas e pra gente também é muito bom”.

Além da equipe médica, o Amigos do Coração conta com o trabalho de voluntários como a manicure Ivaldete Alves. Há cinco anos ela vem de Araguari para cá com a intenção de ajudar no programa e conta que se tornou um ser humano melhor. “Descobri esse projeto através dos meus sobrinhos. O meu sobrinho-neto teve um problema no coração e a gente veio procurar [o hospital]. Através deles que eu conheci esse projeto. Me interessei muito em ser voluntária. Em ser alguma coisa que eu pudesse doar sem receber. Só o amor das crianças já é tudo”.

A Ana Laura, desde o nascimento, sofre com a cardiopatia congênita. A mãe, Juliana Peres, acredita que a convivência da filha com outras crianças que também estão em tratamento é importante para o desenvolvimento da menina. “Ela faz o tratamento de cardiologia há 12 anos. Ela já fez duas cirurgias cardíacas, uma com sete dias e outra com um ano de vida. E, depois que eles abriram o espaço aqui, foi bem melhor. Porque aí tem mais crianças para interagir, para ela ver também que têm mais crianças igual ela”, declara Peres.

Para a equipe de voluntário e as famílias dos pacientes, a relevância do programa na vida das crianças é perceptível. E o colorido dos desenhos tem passado para a vida de todos.

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